Orientação Presencial e Online para a Cultura em Santarém
Com a intenção de aumentar o acesso de artistas, produtores, coletivos e gestores culturais às oportunidades da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, o Comitê de Cultura do Pará e o Comitê Inter-Regional de Cultura estão promovendo plantões técnicos gratuitos. Essas sessões de esclarecimento, que começaram no dia 14 de janeiro, fazem parte de um esforço para orientar e acompanhar os agentes culturais nas suas localidades, além de reforçar a descentralização das políticas culturais.
Localizada no oeste do Pará, Santarém é a única cidade que receberá as equipes dos dois comitês em dias diferentes, ampliando assim o atendimento aos profissionais da cultura na região. Nos dias 14, 16 e 18 de janeiro, das 18h às 22h, o Comitê de Cultura do Pará realizará o atendimento presencial por meio do Instituto Território das Artes. Nos dias 15 e 19, o Comitê Inter-Regional de Cultura, representado pelo Projeto Rede Pará Criativo, será responsável pelo atendimento no mesmo horário. Todos os encontros presenciais acontecerão na rua Acácia Prateada, no bairro Mapiri.
Além do atendimento presencial, os plantões também oferecem uma opção de participação online, permitindo que agentes culturais de outros municípios possam se beneficiar até o dia 23 de janeiro.
Aline Vieira, coordenadora do Comitê de Cultura do Pará, explica que a escolha por Santarém é estratégica. “Nosso foco é reduzir as desigualdades de acesso à informação sobre a Política Nacional Aldir Blanc. Santarém é um polo regional, reunindo fazedores de cultura de diversas cidades ao redor, e o contato direto facilita a escuta e a orientação necessárias”, comenta.
Aline também destaca a importância do formato presencial para enfrentar as desigualdades que ainda persistem na região. “Muitas pessoas enfrentam barreiras como acesso limitado à internet e dificuldades com plataformas digitais. O atendimento cara a cara cria um ambiente de confiança, onde é possível esclarecer os editais detalhadamente e adaptar as orientações à realidade local”, ressalta.
As dificuldades enfrentadas pelos agentes culturais na região Oeste variam das observadas na capital. “Os maiores desafios aqui estão relacionados ao acesso à informação e à capacitação técnica para elaboração de projetos. Existe uma oferta limitada de formação continuada e menor interação com as políticas públicas, o que pode dificultar a participação nos editais”, explica Aline. Ela acredita que os plantões são uma forma de nivelação desse acesso, evitando que os recursos sejam monopolizados por quem já está familiarizado com os trâmites burocráticos.
Os atendimentos fazem parte de uma estratégia que abrange agentes culturais de diferentes municípios. O Comitê de Cultura do Pará atende fazedores de cultura de Santarém, Alenquer, Monte Alegre, Prainha, Mojuí dos Campos e Belterra, enquanto o Comitê Inter-Regional de Cultura oferece suporte a Santarém, Óbidos e Juruti. A possibilidade de atendimento online expande ainda mais o alcance da ação.
Durante os plantões, as equipes oferecem orientações sobre como realizar a inscrição nos editais da Aldir Blanc, detalhando prazos, documentação necessária, critérios de elegibilidade e elaboração de orçamentos e planos de trabalho. Aline menciona que as perguntas mais comuns envolvem quem pode se inscrever, as diferenças entre categorias, a documentação necessária para pessoas físicas, MEIs e associações, além dos critérios de avaliação. “Muitos chegam com ideias ainda em desenvolvimento, buscando apoio para estruturá-las melhor”, aponta.
Esse tipo de iniciativa, segundo a coordenadora, é uma porta de entrada para as políticas públicas. “Orientar artistas, grupos e coletivos locais não só contribui para aumentar a quantidade de projetos inscritos, mas também fortalece a descentralização dos recursos disponíveis”, argumenta.
A participação nos plantões, tanto na modalidade presencial quanto online, requer inscrição prévia. Os interessados podem encontrar os formulários de inscrição nos canais institucionais dos comitês, onde também estão disponíveis os links para agendamento e confirmação das datas e modalidades.
A expectativa é que essa iniciativa crie um impacto duradouro no fortalecimento da cultura local. “Esperamos que isso resulte em uma maior autonomia cultural nas regiões, com mais agentes capacitados para acessar políticas públicas, desenvolver projetos sustentáveis e impulsionar a economia criativa local. A longo prazo, isso ajuda na consolidação de redes, coletivos e iniciativas culturais contínuas”, finaliza.
Aline Vieira também menciona a colaboração do Comitê com o Ministério da Cultura para assegurar a efetividade das políticas de fomento. “Nosso papel é atuar como um elo entre as políticas públicas e os territórios, integrando a rede nacional de Comitês e Agentes Territoriais de Cultura. Trabalhamos para difundir informações oficiais do MinC, ouvir as demandas locais e apoiar a implementação das diretrizes da PNAB em nível local”, conclui.
A ação conjunta dos Comitês de Cultura do Pará e do Comitê Inter-Regional reafirma a importância dessas instâncias na articulação com o Ministério da Cultura, contribuindo para a construção de uma política cultural sólida e alinhada à diversidade cultural do Brasil.

