Desafios do Orçamento de 2026
O prazo para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tome uma decisão sobre o Orçamento de 2026, que inclui R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares, se encerra nesta quarta-feira (14). O projeto, que foi aprovado no final do ano passado por meio de votação simbólica no Congresso Nacional, estabelece um superávit de R$ 34,5 bilhões para as contas do governo deste ano.
Além dos valores destinados às emendas, a proposta também contempla cortes em despesas previdenciárias e em programas sociais, como o Pé de Meia e o Auxílio Gás, levando a um cenário de apreensão quanto à manutenção desses benefícios essenciais.
Lula tem a opção de sancionar o projeto integralmente, vetar partes dele ou até mesmo não se manifestar, o que, segundo a Constituição Federal, resultaria na sanção automática do texto. Caso ele não se pronuncie, o presidente terá 48 horas para promulgar a nova lei.
Emendas Parlamentares e Metas Fiscais
Conforme explica o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta fiscal central, sendo que a meta será considerada formalmente cumprida se o governo atingir um saldo zero ou um superávit de R$ 68,6 bilhões. A proposta também estabelece um piso mínimo de R$ 83 bilhões para investimentos públicos, um valor correspondente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2026, que é estimado em R$ 13.826,2 bilhões.
O relator do orçamento, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), evidenciou a importância das emendas parlamentares, que são recursos alocados no Orçamento de acordo com as indicações de deputados e senadores. De um total de R$ 61 bilhões em emendas, R$ 49,9 bilhões são destinados ao controle dos parlamentares, incluindo emendas individuais e de bancada.
Para este ano, aproximadamente R$ 37,8 bilhões serão direcionados a emendas impositivas, que são aquelas que obrigatoriamente precisam ser pagas pelo governo. As emendas impositivas se dividem em duas categorias: individuais, que recebem R$ 26,6 bilhões, e de bancada, que têm um montante de R$ 11,2 bilhões. Além disso, há uma reserva de R$ 12,1 bilhões para o pagamento de emendas de comissão, que não possuem execução obrigatória.
Cortes em Programas Sociais
Nos últimos dias, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, informou que o governo deverá realizar cortes na ordem de R$ 11 bilhões nas emendas aprovadas pelo Congresso. Entre os programas afetados, o Pé de Meia, destinado a estudantes do Ensino Médio, sofrerá uma redução de R$ 436 milhões, diminuindo os investimentos de R$ 12 bilhões para R$ 11,46 bilhões. O Auxílio Gás também será impactado, com um corte de R$ 300 milhões, reduzindo o valor de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,73 bilhões, o que pode impactar diretamente o benefício de 2,7 milhões de cidadãos.
A proposta orçamentária também traz mudanças significativas nas despesas previdenciárias, com um corte de R$ 6,2 bilhões no Regime Geral da Previdência Social, alterando as previsões de despesas de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,128 trilhão.
Expectativas e Implicações
A decisão de Lula sobre o Orçamento de 2026 poderá ter repercussões significativas nos programas sociais e na gestão fiscal do governo. O cenário é repleto de incertezas e expectativas, tanto em relação ao suporte a áreas essenciais quanto ao cumprimento das metas fiscais estabelecidas. Enquanto isso, a população aguarda ansiosamente por uma definição que poderá impactar diretamente sua qualidade de vida.

