Encontro estratégico no Palácio do Itamaraty
Os líderes europeus estão em busca de um diálogo mais próximo com o Brasil, e para isso, dirigiram-se ao Palácio do Planalto em um momento crucial da diplomacia internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comparecerá à cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que ocorrerá em Assunção, Paraguai, onde o bloco sul-americano está sob a presidência paraguaia. Essa decisão visa não apenas ressaltar o protagonismo do Brasil nas negociações, mas também consolidar a imagem do país como um parceiro essencial na implementação do tratado.
Segundo informações de fontes próximas ao governo, Lula está em busca de uma ‘foto da vitória’ que o coloque em destaque ao lado das principais autoridades da União Europeia, na véspera da formalização do acordo entre os blocos econômicos. Para isso, ele optou por um encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde receberá líderes europeus para uma declaração conjunta, posicionando o Brasil como o principal negociador político do pacto.
Estratégia para evitar divisão de palanque
Essa estratégia também reflete a intenção de Lula em evitar dividir o palco com o presidente argentino, Javier Milei, com quem mantém uma relação protocolar e distante. Enquanto os presidentes da Argentina, Uruguai e Paraguai estão confirmados para o evento em Assunção no próximo sábado, o Brasil terá sua representação limitada ao chanceler Mauro Vieira, responsável pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).
No âmbito interno, o governo brasileiro tem minimizado a ausência do presidente na cerimônia e levado críticas à postura do Paraguai, que tentaram elevar a importância do encontro ao nível de chefes de Estado de última hora. Conforme a análise do Itamaraty, a assinatura do acordo deveria ser conduzida por chanceleres, e não por líderes de nações.
Costura política com a Itália para viabilização do acordo
A viabilização do tratado com a aprovação da União Europeia passou por uma articulação direta entre Lula e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Segundo informações de fontes governamentais, em uma ligação no final de 2025, pouco antes da Cúpula de Foz do Iguaçu, Meloni confessou a Lula que enfrentava um ‘embaraço político’ com agricultores italianos e pediu paciência ao presidente brasileiro. Este pedido de adiamento foi crucial, permitindo que a Itália se alinhasse à Alemanha e à Espanha, isolando a resistência francesa do presidente Emmanuel Macron.
O acordo, que estava previsto para ser assinado em 20 de dezembro, sob a presidência brasileira do Mercosul, teve como plano inicial a realização da assinatura em Foz do Iguaçu. No entanto, a assinatura formal só se concretizou em janeiro de 2026, quando a União Europeia aprovou o texto do tratado, abrindo caminho para o evento em Assunção.
Desafios e oposições ao acordo
Apesar do progresso na formalização do acordo, a oposição de agricultores europeus, especialmente na França, é intensa. Eles temem os danos decorrentes da entrada de produtos agrícolas do Mercosul, como carnes, que podem aumentar a concorrência e impactar os preços no mercado europeu. Essa resistência pode afetar as etapas subsequentes de aprovação do acordo.
Os próximos passos incluem a assinatura formal do tratado e a análise e aprovação do acordo pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, algumas partes do tratado podem ainda requerer a aprovação nos parlamentos nacionais dos países europeus. Assim, o desenrolar desse processo é fundamental para determinar a efetividade e a implementação do acordo Mercosul-União Europeia.

