Experiência na Segurança Pública
Os ex-governadores, que já enfrentaram os desafios da segurança pública em suas administrações, possuem uma compreensão única dos problemas crônicos nesse setor. Eles têm sob seu comando as Polícias Civil e Militar, o que promove uma solidariedade natural e facilita o diálogo até mesmo com governadores de oposição. A troca de experiências entre ex-governadores e os atuais mandatários tende a ser mais produtiva, principalmente em questões tão complexas quanto a segurança pública, ao contrário de alguém que nunca ocupou um cargo executivo e conhece apenas a teoria jurídica.
A discussão sobre o futuro da pasta da Segurança Pública se intensifica com a iminente sucessão. Um debate que gira em torno do possível desmembramento do ministério e do retorno do Ministério da Segurança Pública, uma ideia que Lula já mencionava desde o início da transição. Contudo, ele vincula essa proposta à necessidade de inicialmente reformular o sistema de Justiça.
Em Brasília, existe um conceito estabelecido de que a criação de um novo ministério transferiria a responsabilidade pela violência diretamente ao presidente. Essa visão foi defendida por Dilma Rousseff, mas ao longo do tempo, essa lógica perdeu força. Hoje, a questão da violência já recai sobre os ombros do presidente, independentemente de sua estrutura ministerial.
Crime Organizado e Percepção Nacional
A situação do crime organizado no Brasil vai além das fronteiras estaduais, com suas ramificações se infiltrando na economia formal e nos níveis mais altos do poder, operando como verdadeiras máfias transnacionais. O público já não vê facções como o PCC ou o Comando Vermelho apenas como problemas limitados a locais como Rio ou São Paulo, mas sim como uma preocupação que atinge todo o país.
Nesse contexto, a figura de um ministro exclusivo para a Segurança Pública pode funcionar como um fusível em momentos de crise. Esse ministro seria o responsável por assumir a responsabilidade e, em caso de falhas, a crítica se direcionaria a ele, preservando assim a imagem do presidente. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) captou essa dinâmica ao escolher ministros com perfis bem definidos para a segurança, criando uma espécie de proteção política durante sua gestão.

