Fatores que Impulsionam o Ibovespa em 2025
Ao final de 2025, o Ibovespa deve encerrar com uma alta superior a 30%. Se o índice se manter acima de 32% na última sessão do ano, essa será a maior valorização anual desde 2016, quando teve um crescimento de 38,9%, conforme relatórios da consultoria Elos Ayta. Este desempenho otimista ocorre mesmo em um ambiente de juros altos, com a taxa Selic projetada para encerrar 2025 em 15% ao ano, o nível mais elevado em duas décadas.
De acordo com dados da B3, a bolsa brasileira acumulou 32 fechamentos recordes ao longo do ano, o maior número desde 2019, que teve 40 recordes em um período de valorização do mercado. Especialistas consultados pelo g1 destacam que o bom desempenho do Ibovespa é resultado de diversos fatores, como:
- Cortes de juros nos Estados Unidos, com a expectativa de novas reduções em 2026;
- Realocação de investimentos diante das incertezas sobre as contas públicas e política econômica de Donald Trump, favorecendo ativos brasileiros;
- Previsões de cortes na taxa Selic no Brasil, com o mercado já de olho em 2026;
- Resiliência do Brasil nas tensões comerciais com os EUA, minimizando impactos nas empresas exportadoras;
- Ações de empresas brasileiras ainda abaixo dos níveis pré-pandemia, atraindo investidores;
- Expectativas de mudanças políticas, especialmente na gestão das contas públicas, com a aproximação das eleições de 2026.
Impacto dos Fatores Externos
O cenário internacional teve um papel crucial na alta do Ibovespa neste ano, segundo analistas. Um dos principais fatores foi a mudança na política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. A instituição reduziu as taxas de juros três vezes em 2025, passando da faixa de 4,25% a 4,50% ao ano para 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022, com a expectativa de mais reduções em 2026.
Com juros menores nos EUA, o rendimento das Treasuries, considerados os investimentos mais seguros do mundo, diminui. Esse movimento leva investidores a buscarem alternativas mais rentáveis em mercados emergentes, onde o Brasil se destaca, beneficiando a bolsa e o real, conforme analisa Lauro Sawamura Kubo, gestor de fundos da Patagônia Capital.
A pressão e tentativas de interferência de Donald Trump no BC americano também geraram tensões no mercado, contribuindo para uma reestruturação dos portfólios globais. Harrison Gonçalves, CFA Charterholder, acrescenta que essa redistribuição pode beneficiar o Brasil.
Atração por Ações Brasileiras
Os analistas destacam que muitas empresas brasileiras se encontravam a preços muito baixos, o que levou investidores a enxergarem como oportunidades. Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, afirma que a bolsa brasileira ainda não havia atingido os patamares pré-pandemia, enquanto outros mercados já avançaram, tornando as ações brasileiras atraentes.
Com a bolsa sendo vista como relativamente barata e com maior potencial de retorno, investidores anteciparam compras, especialmente diante da expectativa de cortes de juros. A resiliência do Brasil frente a tensões comerciais, mesmo após a elevação das tarifas para 50%, foi outro fator que ajudou a manter o Ibovespa positivo.
Expectativas para 2026 e Desafios Futuros
A taxa Selic, em um nível histórico alto, tem atraído investimentos em renda fixa, mas as previsões para 2026 continuam a ser um fator que impulsiona o Ibovespa. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ressalta que a expectativa de cortes na Selic até 12,25% ao ano até o fim de 2026 está entre os elementos que atraem investidores.
Contudo, a preocupação com as contas públicas ainda permanece. Lauro Sawamura Kubo observa que a preocupação fiscal, embora temporariamente em segundo plano, pode voltar ao foco, especialmente com a chegada das eleições, que historicamente trazem um aumento nos gastos e medidas populistas.
Em relação às eleições, a volatilidade do Ibovespa, notada no início de dezembro, deixa no ar a dúvida sobre o que esperar para 2026. A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro gerou tensões no mercado, mostrando que o cenário político pode impactar diretamente a economia. Para alguns analistas, a combinação de cortes na taxa Selic e mudanças políticas pode levar o Ibovespa a uma marca entre 170 mil e 200 mil pontos no próximo ano, embora cenários adversos possam frustrar expectativas.

