Mudança na Legislação do Trabalho
O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo de trabalho em que os funcionários atuam seis dias seguidos com apenas um dia de folga, pode ser intensificado no Congresso Nacional ainda este ano. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), revelou que essa pauta será uma prioridade para a legislação em 2024.
A decisão foi recebida com entusiasmo por muitos parlamentares, mas para um deles, que atua na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, a questão tem um significado ainda mais profundo. Rick Azevedo, do PSOL, ex-balconista de farmácia e vereador mais votado do partido na última eleição, ficou conhecido nas redes sociais ao desabafar sobre os desafios da rotina de trabalho sob a escala 6×1.
Azevedo se tornou uma voz significativa na mobilização contra esse modelo de trabalho, criando uma petição que já conta com quase 3 milhões de assinaturas e fundando o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) ao lado de outros trabalhadores. Em entrevista à BBC News Brasil, o vereador expressou otimismo quanto à aprovação da proposta, apesar de levantamento recente indicar uma divisão entre os parlamentares sobre o assunto.
A Opinião do Povo e dos Parlamentares
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em dezembro de 2023 apontou que 72% da população apoia o fim da escala 6×1. No entanto, entre os deputados federais, apenas 42% se mostraram favoráveis à mudança, enquanto 45% se opuseram. Os outros 13% não opinaram ou não se manifestaram. Vale lembrar que a bancada contrária já havia sido mais expressiva, alcançando 70% em julho de 2023, segundo o mesmo instituto.
Apesar da resistência, Azevedo mantém uma postura confiante em relação à aprovação da medida. “Esses parlamentares são lobistas e se comportam como escravocratas, mas precisam do apoio popular para se manterem no cargo”, argumenta.
Críticas ao Capital e à Resistência Econômica
O vereador criticou publicamente economistas e empresários que se posicionaram contra o fim da escala, sugerindo que essa mudança poderia ser um “tiro no pé” para a economia nacional. Durante a entrevista, ele fez uma analogia contundente: “Se eu dissesse que vamos acabar com a escravidão no Brasil, os economistas de hoje diriam que o país não tem condições de fazer isso, que quebraria”.
Azevedo ainda enfatizou que a resistência a direitos trabalhistas, como o 13º salário, férias remuneradas e licença maternidade, é frequentemente justificada com o mesmo medo de um colapso econômico. “Eles querem gerar pânico econômico para justificar a exploração do trabalhador, que é forçado a trabalhar seis dias por semana e, em muitos casos, recebe um salário que mal cobre suas necessidades básicas”, declarou.
À medida que o debate sobre o fim da escala 6×1 avança, a pressão popular e as novas vozes no cenário político podem alterar o panorama atual. A luta de Azevedo e de outros defensores dos direitos trabalhistas pode, assim, representar um marco importante na evolução das relações de trabalho no Brasil.

