Fecomércio RJ Alerta para Consequências Econômicas
A Fecomércio RJ expressou sua preocupação em relação à votação no Congresso Nacional sobre a proposta de extinguir a escala 6×1. Em um comunicado oficial, a entidade ressalta que essa decisão está sendo tomada sem uma análise adequada dos impactos econômicos e sem um debate justo e aprofundado sobre o tema.
Representando os setores do comércio, serviços e turismo do Rio de Janeiro, a Fecomércio enfatiza que a alteração nas regras de trabalho pode levar a uma queda na produtividade e a um aumento nos custos operacionais, o que requer uma avaliação cuidadosa antes de qualquer voto no legislativo.
“É essencial lembrar que o setor privado é responsável pela maior parte dos empregos formais no Brasil. Portanto, acreditar que as empresas possam arcar com um aumento de custos sem uma correspondente melhoria na produtividade é uma visão simplista da realidade econômica”, afirmou um porta-voz da entidade.
No comunicado, a Fecomércio RJ destaca que qualquer mudança na jornada de trabalho, mantendo o mesmo salário, pode levar à necessidade de novas contratações, acarretando adicionais encargos sociais. Isso, inevitavelmente, afetará as margens de lucro das empresas, independentemente de seu porte. Estudos do FGV-Ibre apontam um aumento médio de 17,2% nos custos do trabalho, o que pode resultar em demissões.
A diferença entre a variação do salário mínimo e o ganho de produtividade nos últimos 15 anos é alarmante. Enquanto o primeiro cresceu cerca de 30%, o aumento da produtividade foi de apenas 5%. “Esse descompasso não é apenas uma questão ideológica, mas uma questão matemática, com impactos diretos na economia, que não podem ser ignorados”, disse a entidade.
A pressão do governo para que a proposta seja votada sem uma análise técnica aprofundada gera incerteza jurídica, uma vez que um projeto de lei ordinária não deveria regular questões que já estão previstas na Constituição. Essa mudança, além de fragilizar a negociação coletiva, um aspecto importante para a autorregulação das relações de trabalho, poderia levar a uma reengenharia nas empresas, resultando em demissões e diminuição da produção.
Estimativas apontam que, no setor do comércio, a proposta poderia causar uma redução de até 12% no PIB. Além disso, o repasse dos custos adicionais ao consumidor final levaria a uma pressão inflacionária significativa, afetando o poder aquisitivo da população.
A Fecomércio RJ conclui que, embora todos desejem avanços sociais e melhorias nas condições de trabalho, essas conquistas devem ser acompanhadas pela saúde financeira do setor produtivo, que já enfrenta dificuldades devido a uma alta carga tributária e burocracia excessiva. “Reduzir a jornada de trabalho sem um aumento correspondente na produtividade é arriscar a estagnação econômica do Brasil e inverter a lógica do desenvolvimento sustentável”, finaliza o comunicado.

