Reflexões sobre a trajetória política dos Bolsonaro
Iniciando a temporada eleitoral, a atuação da família Bolsonaro no Rio de Janeiro se torna um assunto relevante. O ex-presidente, que cumpriu oito mandatos pelo estado, e seu filho, que está prestes a finalizar seu tempo como senador após ser deputado estadual, têm seus legados frequentemente questionados. A ascensão do filho se deu mais pela imagem de ser ‘filho do presidente’ do que por iniciativas significativas. Sua trajetória na Assembleia Legislativa e no Senado, marcada por discursos recorrentes, deixou a desejar em termos de ações concretas em benefício do estado.
A ausência de apoio durante os quatro anos em que Jair Bolsonaro esteve na presidência é um dos principais pontos levantados por críticos. A falta de atenção do senador ao defender temas essenciais afeta diretamente a qualidade de vida e a economia local, gerando uma série de questionamentos.
Obras paradas e falta de vontade política
A capital fluminense enfrenta sérios problemas de infraestrutura, especialmente nos acessos rodoviários. Projetos que poderiam beneficiar a cidade estão estagnados devido a entraves burocráticos e à falta de vontade política. Um exemplo claro é a nova subida da Serra de Petrópolis, cujas obras, que já estavam em andamento, foram abruptamente paralisadas. Passaram-se quatro anos sem qualquer movimento significativo em direção à conclusão dessa importante obra.
Esse isolamento não se limita apenas a projetos envolvendo a ligação com o interior do estado. A descida da serra das Araras na Via Dutra, uma rodovia essencial para a economia nacional, foi liberada apenas no ano passado, o que indica um atraso significativo no desenvolvimento da infraestrutura necessária para o crescimento econômico do Rio.
Novas licitações e o papel da gestão atual
A duplicação da BR 101, que liga a região ao sul, é outro exemplo de um projeto que só recebeu atenção no governo atual, após um longo período de espera. Apesar de algumas ações positivas, o governo de Jair Bolsonaro é frequentemente lembrado por suas falhas em atender demandas urgentes do estado fluminense.
Embora tenha se posicionado a favor de uma visão econômica mais liberal, com menos intervenção do estado, as conquistas do governo foram atribuídas a ministros competentes, como Paulo Guedes e Tarcísio de Freitas. Contudo, o resultado prático para o Rio foi quase nulo, deixando uma série de pleitos sem resposta, como a proposta de concentrar o setor de câmbio dos bancos na cidade. Isso poderia ter ajudado a manter economistas talentosos no Rio, que frequentemente buscam oportunidades em São Paulo.
Desafios políticos e a imagem da família
A indicação do filho de Bolsonaro como candidato ao Senado, sem um histórico político sólido, levanta questões sobre a capacidade de liderança da família em detrimento de suas conexões políticas reais. Essa escolha parece mais uma tentativa de perpetuação do clã do que um esforço genuíno para representar os interesses da população.
A insegurança política em torno da figura carismática do ex-presidente é evidente. Sua dificuldade em estabelecer alianças e reconhecer aliados reflete um cenário de isolamento, que culminou em uma reeleição conturbada, onde seu companheiro de chapa entrou sem votos e saiu da disputa sem grande repercussão.
O futuro político e as alternativas
Gilberto Kassab, conhecido por sua habilidade política, acertadamente agregou ao seu partido figuras respeitáveis do centro democrático, respondendo a um anseio da sociedade por alternativas além da polarização política. O desencanto com a imagem liberal-conservadora que o ex-presidente deixou no país sinaliza uma oportunidade para novos líderes emergirem e revitalizarem a política nacional, trazendo à tona a necessidade de ações reais que beneficiem a população.

