Estudantes da UFF lideram manifestação em Niterói
A candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrou um impulso importante em Niterói (RJ). Na noite da segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) tomaram as ruas em uma mobilização espontânea. O protesto expressou apoio à reeleição de Lula e repúdio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e ao avanço do bolsonarismo.
O ato político, embora modesto em tamanho, carrega um significado maior. Surgiu dentro da própria universidade, organizado por entidades estudantis como o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da UFF. A mobilização foi uma resposta direta ao resultado das urnas, que mostrou Flávio Bolsonaro na frente no primeiro turno.
Reação imediata e organizada dos estudantes
Ao contrário de grandes manifestações nacionais convocadas por partidos ou coordenações de campanha, esse movimento partiu dos estudantes, que decidiram canalizar a decepção em ação política. A convocação do CAEV, que marcou concentração para as 19h, enfatizava a necessidade de transformar o espanto com o resultado em movimento ativo.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os estudantes percorreram bairros como Gragoatá, Ingá — onde fica a Faculdade de Direito — e Icaraí. Durante o trajeto, cantaram em apoio a Lula, contra o bolsonarismo e contra a proposta de Flávio Bolsonaro de conceder anistia ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Defesa da universidade pública como ponto central
Uma bandeira com a inscrição “UFF Antifascista” foi pendurada na entrada da Faculdade de Direito no Ingá. No local, um estudante liderou o coro que repetiram todos: “Os estudantes de Niterói dão um recado ao bolsonarismo. Nós não vamos recuar. É Lula. Bolsonaro, não. Ele não. Ele nunca. É Lula.” Outro momento forte da manifestação foi o grito direto: “Não tem anistia.”
A mobilização resgata ainda o histórico de confronto entre o bolsonarismo e as universidades públicas durante o governo Jair Bolsonaro. Naquele período, as instituições federais sofreram cortes orçamentários e ataques diretos do ex-presidente às universidades e estudantes. A manifestação em Niterói reafirmou a defesa da universidade pública como eixo da resistência contra o retorno do bolsonarismo, agora representado por Flávio Bolsonaro.
Contexto político e impacto no segundo turno
O protesto aconteceu menos de 24 horas após o primeiro turno, que colocou Lula em uma posição mais desafiadora do que o previsto. Flávio Bolsonaro alcançou 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, enquanto Lula obteve 45,16%, aproximadamente 53,8 milhões. A diferença entre eles foi pouco superior a dois milhões de votos.
Além disso, a abstenção foi expressiva, com cerca de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Esse grupo será decisivo para as estratégias de campanha no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Mobilizações como a da UFF ganham, nesse cenário, um papel fundamental para ampliar o engajamento político.
A iniciativa dos estudantes não foi fruto de uma agenda nacional previamente definida. Foi uma resposta espontânea, que buscou transformar o choque do resultado em organização e mobilização política. As entidades estudantis afirmam que as semanas até o segundo turno devem ser usadas para fortalecer esse movimento. “O recuo não é e nunca foi uma opção”, reforçam.
Universidade pública como espaço de resistência
A UFF, que reúne cerca de 50 mil estudantes em seus campi em Niterói e municípios do interior do Rio de Janeiro, aparece como um espaço vital na disputa política atual. A manifestação reafirma o papel da universidade pública como terreno de resistência e debate, especialmente diante de ameaças históricas promovidas pelo bolsonarismo.
Os estudantes da UFF mostram que, mesmo diante de resultados desfavoráveis, a mobilização pode surgir de forma orgânica e influenciar a dinâmica política local e nacional. A reação em Niterói reflete um movimento mais amplo, que busca garantir a continuidade das políticas educacionais e a defesa da democracia no país.

