Investigação Revela Modus Operandi de Lavagem de Dinheiro
O Ministério Público de Minas Gerais apontou o nome de ‘Sicário’, suposto operador do banqueiro Daniel Vorcaro, como um dos principais envolvidos em um esquema de pirâmide financeira. De acordo com as denúncias, ‘Sicário’ dirigiu empresas que prometiam retornos exorbitantes, chegando a 987% ao ano, atraindo assim diversos investidores que acabaram se tornando vítimas dessa fraude. A acusação foi formalizada pela Justiça em dezembro de 2021, e o julgamento ainda está pendente. Ele enfrenta acusações que incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
Um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a maneira como a lavagem de dinheiro era realizada. O esquema consistia em simular a compra de imóveis em áreas rurais de Minas Gerais e, em seguida, obter empréstimos no Banco Máxima (anteriormente conhecido como banco Master) utilizando essas propriedades como garantia, que, surpreendentemente, eram supervalorizadas em mais de 3 mil por cento.
Para ilustrar como funcionava esse processo, a empresa Diedro Empreendimentos, alvo da investigação, adquiriu um imóvel em Itamarandiba por R$ 465 mil. Após essa compra, a Diedro emitiu uma cédula de crédito bancário que conferia ao imóvel um valor de R$ 31,2 milhões, resultando em uma supervalorização de 3.341%. Os investigadores alegam que essa movimentação de capital era parte de um movimento maior para desviar recursos do esquema criminoso.
Além disso, documentos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) indicam que a Diedro Participações teve como sócia a Giom Participações, pertencente a Natália Vorcaro, irmã do banqueiro mencionado.
Fraude Financeira e Supervalorização de Ativos
A forma de operação descrita na investigação lembra práticas fraudulentas atribuídas a Daniel Vorcaro no caso Master, onde a movimentação de dinheiro era realizada através da supervalorização de ativos ou da utilização de títulos sem valor como garantia para a concessão de empréstimos que totalizavam bilhões.
A investigação do MP mineiro teve início após uma denúncia feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relacionada à empresa Alcateia Investimentos. Esta empresa, após a denúncia, vendeu sua carteira de clientes para a Maximus Digital, que contava com Mourão e seus familiares entre os sócios.
Anúncios divulgados nas redes sociais pela Alcateia prometiam retornos financeiros superiores a 987% ao ano, enquanto utilizavam termos como ‘lobo alfa’ e ‘lobo pai’ para classificar seus investidores, os quais eram incentivados a recrutar amigos e familiares para formar suas respectivas ‘matilhas’, configurando assim um típico esquema de pirâmide.
Conforme a denúncia apresentada pela promotora Janaina de Andrade Dauro, essa organização criminosa causou um prejuízo significativo à economia nacional. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que Mourão movimentou a impressionante quantia de R$ 24,9 milhões em um período de apenas três anos.
Silêncio e Ameaças
A defesa de ‘Sicário’ não se manifestou até o momento sobre as acusações, e antes de tentar se suicidar, ele optou por permanecer em silêncio durante os questionamentos da Polícia Federal.
Durante a operação denominada Compliance Zero, Mourão aparenta ser o coordenador de um grupo de WhatsApp intitulado ‘A Turma’, que supostamente foi criado para planejar atividades de vigilância, coletar informações e intimidar indivíduos considerados adversários de Daniel Vorcaro. As investigações sugerem que Mourão acessava sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros, o que supõe um nível de organização e intenção de enganar as autoridades.
De acordo com a polícia, Mourão teria conseguido acesso indevido a bancos de dados da Polícia Federal, Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol. Através de sua assessoria de imprensa, Vorcaro se defendeu, afirmando que nunca teve a intenção de ameaçar jornalistas e alegando que suas mensagens foram mal interpretadas.

