A necessidade urgente de financiamento para manter o fluxo de operações dos Correios em meio à crise
A regularização das entregas realizadas pelos Correios está atrelada à captação de um empréstimo imediato de R$ 10 bilhões até o final deste ano. Esse valor faz parte de uma operação de crédito total que chega a R$ 12 bilhões, organizada por um consórcio de instituições financeiras, incluindo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Tal transação tem como garantia o Tesouro Nacional, o que diminui o risco para os bancos envolvidos.
As dificuldades financeiras com fornecedores têm afetado gravemente a capacidade operacional dos Correios, comprometendo o fluxo de entregas e refletindo em índices alarmantes. Os dados indicam que a média nacional de entregas pontuais caiu para menos de 70%. Em regiões com logística mais complicada, o cenário é ainda mais desolador, com uma eficiência que não passa de 50%, marcando um dos piores momentos da história da empresa.
A paralisação dos serviços, que afeta dois terços das representações sindicais dos Correios — 24 de um total de 36 —, tem origem em divergências referentes às cláusulas do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Em resposta a essa situação, a Justiça determinou que 80% do efetivo deve permanecer em atividade, estabelecendo sanções financeiras para sindicatos que não cumprirem a ordem judicial.
Desde o início da greve, no dia 16 de dezembro, a operação dos Correios foi severamente impactada durante um período de alta demanda, o que é particularmente preocupante. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Ceará e Paraíba, que juntos representam mais de 70% do volume total de entregas da companhia, estão enfrentando sérios desafios logísticos.
Apesar da crise, os Correios afirmam que 90% de seu quadro de funcionários segue em atividade. Contudo, a qualidade do serviço prestado pela estatal tem sentido uma queda significativa, afastando-se da meta histórica de 96% de eficiência. Atualmente, a média de entregas pontuais do Correios está em 68%, com registros alarmantes de apenas 50% em estados como a Bahia, evidenciando uma diferença acentuada em relação ao que a empresa já representou no passado em termos de pontualidade.
Liberação do financiamento essencial
Recentemente, no dia 18 de dezembro, o Tesouro Nacional finalizou a análise do empréstimo de R$ 12 bilhões requisitado pelos Correios, juntamente com o consórcio de cinco bancos. Esta operação é vista como vital para a continuidade das atividades da estatal. O aval técnico do Tesouro libera a negociação dos contratos e assegura que o financiamento se mantenha dentro das taxas de juros estipuladas para operações que contam com a garantia da União.
O consórcio inclui instituições como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, representando os bancos públicos, além de Bradesco, Itaú e Santander. O crédito foi organizado com uma taxa de juros correspondente a 115% do CDI, abaixo do máximo de 120% estabelecido pelo Tesouro. A operação também prevê um período de carência de três anos e um prazo total de 15 anos para a quitação do empréstimo.

