Leite clama por respeito em meio a vaias
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), manifestou-se em resposta às vaias que recebeu durante um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira. O encontro teve lugar na cidade de Rio Grande, um momento estratégico no início do ano eleitoral, onde ambos participaram da assinatura de acordos voltados para o setor naval.
“Este é o amor que venceu o medo? Não, né. Então vamos respeitar, por favor. Estou aqui cumprindo meu dever institucional, em respeito ao cargo que exerço e ao povo do Rio Grande do Sul. Eu e o presidente fomos eleitos pelo mesmo povo e respeito o cargo do Presidente da República, por isso peço respeito”, declarou Leite, buscando um tom conciliador em meio à hostilidade.
A agenda estratégica no Estaleiro Ecovix
O evento, realizado no Estaleiro Ecovix, teve como objetivo a assinatura de contratos para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças, além de acompanhamento na construção dos navios Handymax da Petrobras. Essas iniciativas são vistas como essenciais para o fortalecimento do setor naval no estado.
Leite, que se posiciona como pré-candidato à Presidência, poderá ser um dos opositores de Lula na corrida pelo Planalto, caso a sigla liderada por Gilberto Kassab opte por lançar um nome próprio. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, também expressa seu desejo de concorrer à presidência pelo PSD, enquanto há a possibilidade do partido apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso este confirme sua candidatura.
A polarização política e a necessidade de união
Durante seu discurso, Leite criticou a polarização vigente no país, citando o resultado apertado das eleições de 2022. “Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente. Isso não leva a lugar nenhum”, ponderou. Ele enfatizou que a verdadeira união exige respeito: “Aqui é um ambiente institucional, é o presidente da República. Não é um comício eleitoral”.
Contexto político no Rio Grande do Sul
A poucos meses das eleições, Lula visita um Rio Grande do Sul onde o bolsonarismo ainda tem forte presença. A oposição local, liderada pelo deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), busca se consolidar como a principal força em disputa pelo Palácio Piratini. Enquanto isso, Leite está empenhado em garantir a sucessão com seu vice, Gabriel Souza (MDB).
No âmbito do PT, Edegar Preto, atual diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é o nome mais cotado para a candidatura ao governo. Entretanto, Lula também avalia a proposta do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que defende uma aliança com Juliana Brizola (PDT) na cabeça de chapa. Juliana, ex-deputada estadual e neta de Leonel Brizola, é uma figura emblemática na política gaúcha e já foi vice na chapa presidencial de Lula em 1998.
Movimento político em pauta
Lupi almeja o apoio de Lula para formar uma chapa de centro-esquerda que enfrente a polarização bolsonarista no Rio Grande do Sul. Caso a aliança prospere, Juliana Brizola seria a candidata ao governo, com Edegar Preto como vice, enquanto Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL) disputariam vagas ao Senado. No entanto, a liderança do PT local demonstra resistência à ideia de aliança.
A proposta do PDT está em avaliação por Lula e pelo presidente do PT, Edinho Silva, em meio a um cenário de incertezas. A expectativa é que Edegar Preto e Juliana Brizola não acompanhem a agenda do presidente no estado, o que reforça a complexidade da articulação política na região.
— Estou bem confiante que este apoio acontecerá — finaliza Lupi, em meio à movimentação política que promete agitar o cenário eleitoral no Rio Grande do Sul.

