Reflexões Sobre a Crise no Estado
Na noite de ontem, por volta das 19h, o Palácio Guanabara presenciou a saída do governador Cláudio Castro em meio a um clima tenso e repleto de incertezas. Deputados, visivelmente apressados, deixaram o local, onde a cerimônia de encerramento do governo se desenrolava em um salão nobre superlotado. A imprensa, que aguardou cerca de 2h30 na elegante sala conhecida como “Pé de Moleque”, que mantém o piso importado de Portugal do século XVII, foi impedida de acessar o evento.
Enquanto abraços e despedidas aconteciam, as especulações sobre o futuro político do estado tomaram conta do ambiente. “Nunca vi uma crise dessas”, relatou um deputado veterano à nossa coluna, que já presenciou momentos difíceis na política fluminense, como a prisão de dez deputados em 2018 e o impeachment de Wilson Witzel em 2021. O parlamentar expressou sua preocupação, uma vez que nem ele nem os cidadãos do Rio sabem ao certo qual será o futuro do governo até o final do ano.
A ausência de uma linha sucessória clara e a iminência de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que poderia determinar eleições diretas caso Castro seja cassado, alimentam a sensação de desamparo e incerteza no cenário político do estado.
Vazio de Lideranças e Possíveis Substitutos
Outro deputado, abordado pela nossa reportagem, refletiu sobre o vazio de lideranças no Rio de Janeiro. “Os líderes que temos são figuras regionais, mas as que tinham um impacto maior ou foram afetadas pela Lava Jato ou não possuem força política suficiente para atuar no cenário estadual”, afirmou. O deputado Chico Machado (Solidariedade), que é base eleitoral de Macaé e pode receber o apoio de Eduardo Paes (PSD), e o deputado Guilherme Delaroli (PL), ligado a Castro e com base em Itaboraí, são alguns dos nomes que podem emergir em um eventual governo tampão.
Cláudio Castro dedicou 20 minutos para falar com jornalistas, mas ao final, deixou o evento sem responder a perguntas fundamentais, como a situação do ex-presidente do Rioprevidência, que está preso após aplicar quantias bilionárias no Banco Master, de Daniel Vorcaro, também detido.
Silêncio Sobre Bolsonaro e Ausência de Senadores
Em seu discurso, Castro não fez menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, uma figura relevante na política do estado. Notavelmente, nenhum dos senadores do Rio, todos filiados ao PL, compareceu à cerimônia. Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho foram convidados, mas não estiveram presentes. Bruno Bonetti, suplente de Romário, atualmente em Brasília, também não compareceu. O ex-jogador, que se licenciou do cargo, continua ativo nas redes sociais, onde tem postado ao lado do cantor João Gomes e defendido a convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026.
Às 19h39, sob a majestosa cúpula do Palácio Guanabara, foi possível ouvir Castro cantando em sua última aparição na sede do Executivo. Com isso, ele entra para a história como o terceiro governador mais longevo do Rio de Janeiro, apenas atrás de Sérgio Cabral e Leonel Brizola. O futuro do estado, no entanto, permanece nebuloso, marcando um capítulo de incertezas que pode impactar profundamente a política carioca nos próximos meses.

