Pressão sobre o Governador Cláudio Castro
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) está se tornando um novo foco de desgaste para o governador Cláudio Castro (PL). Prestes a preencher duas das sete vagas disponíveis, a corte se vê no centro de uma turbulência política enquanto Castro enfrenta uma possível cassação devido ao caso Ceperj. Aliados e a Assembleia Legislativa (Alerj) têm demonstrado preocupação com as investigações do tribunal, que incluem a análise de investimentos realizados pela Cedae e Rioprevidência no Banco Master. Além disso, o TCE-RJ suspendeu um projeto do governo que previa a destinação de R$ 2 bilhões para a instalação de câmeras de segurança no estado.
Investigações e acusações
As vagas no TCE são altamente desejadas por figuras da política local, especialmente as ocupadas pelos conselheiros Domingos Brazão e José Gomes Graciosa. Ambos estão enfrentando graves condenações: Brazão, terceiro na fila para uma nova vaga, foi identificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como mandante no assassinato da vereadora Marielle Franco, enquanto Graciosa foi sentenciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por lavagem de dinheiro relacionada à Operação Quinto do Ouro. As investigações em torno de suas ações têm causado inquietação à gestão de Castro.
Antes de sua condenação, Graciosa levantou preocupações sobre as ações do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, que aplicou R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. Antunes nega qualquer irregularidade, mas sua saída do cargo ocorreu após uma operação da Polícia Federal, apenas um mês após Graciosa apresentar suas denúncias.
Implicações para Cedae e segurança pública
Em outro desdobramento, o conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento questionou a Cedae sobre investimentos de R$ 200 milhões no Banco Master. O conselheiro destacou que a estatal promoveu uma “elevada concentração” de recursos nesta instituição, colocando em dúvida a atuação do diretor financeiro, Antonio Carlos dos Santos, nomeado por Castro. Em sua análise, Nascimento enfatizou que a exposição ao Banco Master é muito maior em comparação com outras instituições financeiras.
Documentos do TCE revelaram que assessores de Santos visitaram a sede do Banco Master em São Paulo em julho de 2023, antes mesmo da instituição receber autorização para receber investimentos da Cedae. A estatal atribui a data a um erro de digitação, afirmando que a visita teria ocorrido somente em setembro, após a habilitação do banco. A Cedae, em nota, assegurou que todas as questões levantadas estão sendo dirigidas ao TCE e que as informações serão divulgadas de acordo com os trâmites necessários.
Licitação suspensa e desafios na segurança
Em fevereiro deste ano, Nascimento também recomendou ao secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, a suspensão de uma licitação avaliada em bilhões para a aquisição de 200 mil câmeras de monitoramento, parte do projeto “Sentinela RJ”, que visa ser um marco na segurança pública sob a gestão de Castro. A área técnica do TCE argumentou que o edital favorecia desproporcionalmente empresas estrangeiras, incluindo cláusulas que garantiam pagamento antecipado para produtos importados e condições flexíveis de conversão cambial.
De acordo com informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, a empresa chinesa Hikvision estava em uma posição privilegiada para vencer a licitação, tendo já fornecido câmeras corporais para a Polícia Militar. Vale ressaltar que Castro visitou a Hikvision na China em 2025, o que levanta questionamentos sobre as intenções por trás da escolha da empresa para o projeto.

