Uma Noite de Emoção e Ritmos na Sapucaí
A segunda noite do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro foi um espetáculo vibrante, com as escolas Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca proporcionando uma experiência única aos espectadores. Cada uma delas trouxe para a avenida um pouco de suas tradições e inovações, misturando rock, candomblé, samba e influências literárias.
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a brilhar na passarela, homenageando a icônica artista Rita Lee. Com um enredo que exaltou a força feminina e a diversidade, a escola retratou a trajetória da cantora, que é considerada uma verdadeira expressão cultural de São Paulo. Em suas palavras, a atriz Mel Lisboa destacou: “Ela é muitas e, por ser muitas, ela é singular. Não há nada igual a Rita.”
Os momentos de nostalgia foram evidentes, com referências ao tropicalismo e à luta contra a repressão durante a ditadura. A Mocidade não poupou esforços, apresentando um carro em homenagem ao cão Orelha, um dos ícones da artista, e trazendo Roberto de Carvalho, seu marido, no último carro do desfile. “Um caleidoscópio de memórias do passado, do presente e do futuro”, afirmou Carvalho sobre a apresentação.
Beija-Flor: Um Novo Capítulo na História
Seguindo na sequência, a Beija-Flor de Nilópolis trouxe uma nova proposta ao carnaval, desfilando pela primeira vez após cinco décadas sem a voz inconfundível de Neguinho da Beija-Flor. O cantor, que se despediu em grande estilo, comentou: “Tem que passar a bola para a nova geração.”
O enredo deste ano homenageou o Bembé, uma das maiores expressões do candomblé no Brasil, que teve sua origem na Bahia. O público viu a apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que trouxe uma força simbólica para a avenida. Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor, compartilhou sua alegria: “São 30 anos na mesma escola, a nossa Beija-Flor, e 35 anos juntos.”
A escola também fez uma reflexão sobre a dor da escravidão, enquanto celebrava a força e a resistência do povo negro. No desfile, sacerdotes do Terreiro do Mercado de Santo Amaro, simbolizando a conexão espiritual com a ancestralidade, transportaram 2 mil litros de água, representando o axé, a energia essencial do candomblé.
Viradouro: O Mestre de Bateria Como Enredo
A Viradouro se destacou ao transformar seu mestre de bateria em protagonista do enredo. Mestre Ciça, emocionado, comentou: “Uma honra para mim ser escolhido, ser homenageado na Unidos da Viradouro.” Juliana Paes, rainha de bateria, complementou: “O carnaval está mais orgulhoso de si, está aprendendo a olhar para si mesmo, a se homenagear.”
O desfile teve momentos de grande tensão quando Mestre Ciça, que tradicionalmente comanda a bateria com maestria, foi levado a uma cadeira de rodas, gerando apreensão no público. Mas tudo fazia parte da apresentação, e logo ele voltou ao desfile em uma moto, subindo em um carro com seus músicos e proporcionando um show de luzes e emoção.
Unidos da Tijuca: Uma Homenagem Literária
Por fim, a Unidos da Tijuca apresentou um enredo que homenageou Carolina Maria de Jesus, uma das mais importantes escritoras brasileiras. A atriz Maria Gal ressaltou a relevância de Carolina: “Essa mulher é importante para a nossa educação, para a cultura, para o nosso país.” Nascida no interior de Minas Gerais, Carolina é famosa por sua obra “O Quarto de Despejo”, que expôs a dura realidade da pobreza e da desigualdade social que enfrentou ao longo da vida.
A apresentação da escola fez uma ligação entre a luta de Carolina e as vozes de mulheres que, como ela, buscam espaço e reconhecimento. Juliana Alves, madrinha da Unidos da Tijuca, afirmou: “Estamos homenageando muitas Carolinas que vêm por aí dentro da Tijuca.” A história de Carolina foi contada de maneira cativante, refletindo a força das palavras e da literatura.

