Cenário do desemprego no início de 2026
A taxa de desemprego no Brasil durante o primeiro trimestre de 2026 foi fixada em 6,1%. Embora esse índice tenha superado os 5,1% do quarto trimestre de 2025, representa o menor nível de desocupação registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua), em 2012. No mesmo período do ano passado, a taxa de desocupação havia alcançado 7%.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (30), em sua sede no Rio de Janeiro, revelam que a taxa de desemprego não ultrapassava 6% desde o trimestre encerrado em maio de 2025, quando o índice foi de 5,8%. Vale ressaltar que o IBGE adverte que comparações entre meses consecutivos não são recomendadas devido à sobreposição de dados. Assim, o instituto sugere que as comparações sejam feitas com o quarto trimestre do ano anterior.
População desocupada e total de empregos
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil contava com 6,6 milhões de pessoas em busca de emprego, o que representa um aumento de 19,6% (ou 1,1 milhão de pessoas) em comparação ao quarto trimestre de 2025, embora esse número seja 13% menor em relação ao mesmo período do ano anterior.
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Por outro lado, o total de trabalhadores ocupados atingiu 102 milhões, o que significa uma redução de 1 milhão de pessoas em relação ao último trimestre de 2025. Contudo, quando analisamos o cenário em relação ao primeiro trimestre de 2025, houve um acréscimo de 1,5 milhão de pessoas.
Características sazonais do mercado de trabalho
O comportamento do mercado de trabalho no início de 2026 traz características sazonais que influenciam os dados. A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, explica que a diminuição no número de trabalhadores se dá em setores que tradicionalmente passam por essa oscilação neste período, como o comércio, que normalmente enfrenta uma queda nesta época do ano, e a finalização de contratos temporários no setor público, especialmente nas áreas de educação e saúde.
Dos 10 setores analisados pelo IBGE, nenhum apresentou crescimento no número de ocupados. Três setores, no entanto, relataram perdas: o comércio, com uma queda de 1,5% (equivalente a menos 287 mil trabalhadores), a administração pública, que perdeu 2,3% (ou 439 mil pessoas), e os serviços domésticos, que também sofreram uma retração de 2,6% (menos 148 mil trabalhadores).
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Redução da informalidade no trabalho
Apesar do aumento na taxa de desemprego em relação ao quarto trimestre de 2025, o país observou uma leve redução na informalidade. No encerramento do primeiro trimestre de 2026, a taxa de informalidade na população ocupada ficou em 37,3%, o que corresponde a 38,1 milhões de trabalhadores informais, que não contam com os direitos trabalhistas garantidos.
No final de 2025, essa taxa era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre do ano passado, alcançou 38%. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado esteve em 39,2 milhões, sem variações significativas em comparação ao trimestre anterior, mas representando um aumento de 1,3% (504 mil pessoas a mais) em um ano.
Estabilidade entre trabalhadores autônomos e sem carteira
O número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado teve uma diminuição de 2,1% (o que representa 285 mil pessoas) no trimestre em análise, resultando em 13,3 milhões. Em termos anuais, essa categoria ficou estável, sem alterações estatísticas significativas. Por outro lado, o número de trabalhadores autônomos se manteve estável, com 26 milhões, apresentando um crescimento de 2,4% (607 mil pessoas a mais) em comparação ao primeiro trimestre de 2025.
Metodologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
A Pnad do IBGE visa investigar as condições do mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos, considerando todas as formas de ocupação, sejam elas com ou sem carteira assinada, temporárias ou autônomas. Para o IBGE, uma pessoa é considerada desocupada apenas se ela efetivamente procurou uma vaga de trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. A pesquisa abrange 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
A Pnad é divulgada em um intervalo de um dia após a liberação de outro indicador fundamental sobre o mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que foca exclusivamente na situação dos trabalhadores com carteira assinada.

