Reflexões sobre a dança como linguagem de criação e memória
Em um fascinante encontro promovido pelo Sesc São Paulo, Carmen Luz e Luciano Mendes de Jesus se uniram para explorar como os corpos afrodiaspóricos reinventam o conceito de tempo e criam novos mundos. Com a mediação de Paula Souza, essa conversa se propõe a desvendar as epistemes afrodiaspóricas, onde o corpo é visto como um território de encruzilhadas que se entrelaçam com histórias políticas, espirituais e sociais. Uma das principais premissas discutidas é que, nessas culturas, o tempo não se apresenta de maneira linear, como na visão ocidental, mas se manifesta em espirais, dobras e deslocamentos.
Essa abordagem desafia o entendimento tradicional de temporalidade, propondo uma visão mais rica e complexa, que permite entender a dança não apenas como uma forma de expressão artística, mas como um meio de insurgência e memória. O objetivo é reconhecer a dança como uma linguagem poderosa que pode contribuir para a criação de novos mundos e realidades.
Carmen Luz, natural do Rio de Janeiro, é uma artista multidisciplinar com vasta experiência nas artes. Coreógrafa, diretora de cinema e curadora, ela possui uma formação sólida: mestra em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, pós-graduada em Teatro pela UFRJ e Cinema Documentário pela FGV/RJ, além de ser bacharel e licenciada em Português/Literatura pela UFRJ. Carmen é a fundadora e diretora artística da Cia. Étnica de Dança e tem uma carreira rica em produções cinematográficas, tendo dirigido documentários como ‘Um poema para Quenum’ (2008) e ‘Tia Lucia’ (2019), que foram mostrados em festivais ao redor do mundo. Além disso, ela é responsável pela criação do curso ‘Danças Negras’ na Faculdade Angel Vianna, onde também leciona.
Luciano Mendes de Jesus, por sua vez, é Doutor em Artes Cênicas pela ECA – USP, onde realiza pesquisas que abrangem políticas de amizade, africanidade e construção de identidade afrodescendente no contexto artístico. Seu trabalho é inspirado nas investigações de Jerzy Grotowski e se aprofunda em como esses elementos se entrelaçam nas artes performativas contemporâneas. Com mestrado em Música pela ECA-USP e graduação em Artes Cênicas pela UNICAMP, Luciano é conhecido por suas aulas sobre sonoridades e musicalidades nas Artes Cênicas na ECA, onde também é professor convidado na Escola de Arte Dramática.
Este diálogo no Sesc é uma oportunidade única de refletir sobre a importância da dança e da cultura afrodescendente, ressaltando como essas expressões artísticas podem ser fundamentais na criação de novas narrativas e na construção de identidades. A experiência de Carmen e Luciano revela que a dança é mais do que movimento: é uma linguagem rica que propõe uma nova forma de ver o tempo, a memória e a história.

