A Voz do Quilombo do Grotão
Localizado na exuberante Mata Atlântica do Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói, o Quilombo do Grotão é conhecido por suas tradições cariocas, como a roda de samba e a feijoada que encantam nos finais de semana. Nesse cenário vibrante, destaca-se Mari Braga, uma talentosa cantora, cavaquinista e violonista, que conquistou as redes sociais com suas releituras autorais dos sambas-enredo das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro.
Com uma voz suave, um sorriso cativante e um estilo inconfundível, Mari transforma os clássicos que irão para a Sapucaí em verdadeiras joias musicais, compartilhadas entusiasticamente pela comunidade carnavalesca. Em 2026, suas interpretações estarão na terceira safra de releituras, que ela apresenta com simplicidade e muita conexão com seu público. Ao longo de 16 anos se apresentando no Quilombo, ela conquistou um lugar especial no coração dos amantes do samba.
História e Raízes
Nascida há 33 anos no Quilombo do Grotão, Mari Braga carrega em si a história de um legado ancestral. Seu avô paterno foi escravizado em Sergipe e, após a liberdade, migrou para Niterói, onde a família se estabeleceu na fazenda que posteriormente deu origem ao quilombo. O atual líder do local, José Renato Gomes da Costa, conhecido como Renatão, é tio da artista e foi responsável pela criação da sede do Quilombo, utilizando a indenização recebida após sua demissão como segurança de banco.
Desde pequena, Mari teve contato com o samba. Em sua casa, os discos tocavam incessantemente os grandes sucessos do gênero. Aos seis anos, descobriu seu amor pela música ao cantar na missa aos domingos. Com apenas 15 anos, já dominava o violão e aprendeu a tocar cavaquinho, pegando emprestado o instrumento de um primo. “Na verdade, aprendi mais no ouvido do que em aulas. A música faz parte de mim”, comenta.
Reconhecimento e Sonhos
No final do ano passado, ao compartilhar sua versão de um samba-enredo, Mari recebeu uma mensagem do ex-presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, que se mostrou admirado por seu talento. Ele, junto com o parceiro Xande de Pilares, decidiu presenteá-la com um cavaquinho de alta qualidade, o que a deixou radiante. “Foi incrível saber que músicos tão respeitados reconhecem meu trabalho. Estou muito feliz com o novo instrumento”, celebra.
A artista também faz parte do grupo Um Amô, acompanhado de três amigas, e, desde 2016, integra a bateria da escola de samba Viradouro, tocando caixa. Em 2020, durante o desfile que levou a escola ao título, sua performance com um tibau se tornou uma imagem marcante daquele Carnaval. “Com certeza, foi meu desfile favorito”, afirma. Recentemente, ela também se juntou à equipe de tamborins da Vila Isabel e, em 2023, desfilou como cavaquinista no Império da Tijuca, tornando-se a única mulher a tocar o instrumento na Sapucaí.
Empoderamento Feminino no Samba
Além de seu talento, Mari Braga se destaca pela luta pela representatividade feminina nas escolas de samba. Ela celebra a ascensão de novas vozes femininas, como Jessica Martin, que se apresentará como intérprete principal na Beija-Flor, e Elisa Fernandes, diretora de Carnaval da Unidos da Tijuca. “Precisamos de mais oportunidades para as mulheres. Embora a representatividade ainda avance lentamente, aos poucos estamos conquistando nosso espaço”, ressalta.
Influências e Amor pela Música Brasileira
Entre suas referências na música, Mari menciona nomes importantes como Maria Menezes, Teresa Cristina e Marina Íris, além de grandes ícones como Alcione e Dona Ivone Lara. Apesar de sua forte ligação com o samba, ela também aprecia a rica diversidade da Música Popular Brasileira, com artistas como Tim Maia e Djavan. “A música brasileira é quente, tem a nossa cara”, revela.
Ainda que tenha encontrado um espaço significativo nas redes sociais, Mari não se considera uma influencer. “Isso é apenas um suporte ao meu trabalho. Vivo 100% da música”, finaliza, expressando o orgulho pela arte que emana do Quilombo, repleta de autenticidade e paixão.

