O Papel Transformador da Cultura na Periferia
A pedagoga Michelle Caetano, gestora de projetos no Instituto Anchieta Grajaú, que diariamente atende mais de 600 crianças em situação de vulnerabilidade social, defende a necessidade de descentralizar o acesso à cultura. Em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela destacou a importância da cultura como ferramenta de promoção da cidadania e integração comunitária.
“O impacto da cultura na periferia é notável. É fundamental que a comunidade se sinta pertencente a esses processos culturais. O que percebemos é que a cultura ainda é muito centralizada, e é preciso dar mais visibilidade à cultura da periferia”, afirma Michelle. Segundo ela, os coletivos locais precisam ganhar voz e força, tornando-se reconhecidos não apenas dentro da periferia, mas também em toda a cidade.
O Instituto Anchieta Grajaú, fundado em 1994, não atende apenas crianças, mas também os membros de suas famílias, que participam de atividades tanto no espaço físico quanto por meio de visitas domiciliares. Ao todo, cerca de 7 mil pessoas são impactadas pelos projetos culturais e socioeducativos desenvolvidos pelo instituição.
“Nosso objetivo é fazer com que essas pessoas se tornem representantes efetivas de sua comunidade, reconhecendo sua força e seu potencial. O nosso maior desafio é a luta diária pela sobrevivência, fortalecendo a comunidade, buscando recursos, rompendo barreiras e ampliando conhecimentos, tanto culturais quanto educacionais e sociais. O trabalho realizado é significativo e transformador”, destaca Michelle.
As crianças atendidas pelo Instituto participam de atividades no contraturno escolar. Além das práticas culturais, elas têm acesso a programas que visam ensiná-las sobre sustentabilidade e participação ativa na comunidade. “Promovemos ações que incentivam a responsabilidade social, como a separação do lixo e a importância da reciclagem e compostagem. As crianças aprendem a cuidar do espaço que frequentam e a multiplicar essa responsabilidade social, ambiental e cultural”, completa a pedagoga.
Essas iniciativas, segundo Caetano, não apenas enriquecem a formação das crianças, mas também têm o potencial de mudar a percepção da cultura na periferia, contribuindo para a construção de um futuro mais integrado e digno para todos os envolvidos.

