Chacinas e Polêmicas na Gestão de Cláudio Castro
No dia 23 de outubro de 2023, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, anunciou sua renúncia ao cargo. A decisão ocorreu um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar um julgamento que poderia resultar na perda de seu mandato e na sua inelegibilidade. Essa saída estratégica foi planejada para antes do prazo final de 4 de abril, estabelecido pela legislação eleitoral, que exigia posicionamento para quem desejasse concorrer a uma nova função.
Em um pronunciamento realizado no Palácio Guanabara, Castro revelou suas intenções de concorrer a uma vaga no Senado. A legislação eleitoral permite a renúncia até abril para aqueles que desejam se candidatar, e pessoas próximas ao governador indicam que sua saída antecipada visa atenuar o impacto do julgamento no TSE.
Com a renúncia de Castro, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deverá organizar uma eleição indireta para selecionar o novo governador, que ocupará o cargo até o fim de 2026. Até que esse processo ocorra, a presidência do Tribunal de Justiça do estado, Ricardo Couto de Castro, assumirá o comando do Executivo estadual.
Um Legado Controverso de Violência
Cláudio Castro assumiu o governo carioca em agosto de 2020, após o afastamento do ex-governador Wilson Witzel, que ficou conhecido por sua polêmica frase “mirar na cabecinha” ao tratar de ações policiais. Durante seus cinco anos de gestão, o estado contabilizou 1.846 mortes em operações policiais, conforme um estudo realizado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF). Entre setembro de 2020 e outubro de 2025, foram registradas 8.035 ações policiais.
As três chacinas mais mortais da história do Rio de Janeiro ocorreram sob a administração de Castro. A mais recente, chamada de Operação Contenção, foi deflagrada em 28 de outubro de 2025, nos Complexos da Penha e do Alemão, visando o Comando Vermelho (CV). Essa operação resultou em 122 mortes, tornando-se a chacina mais letal não apenas da gestão atual, mas da história do estado e do Brasil, superando os registros anteriores do Jacarezinho, em 2021, e da Vila Cruzeiro, em 2022.
Em uma coletiva de imprensa após a operação, Castro declarou que as únicas vítimas eram os quatro policiais que perderam a vida, desconsiderando os mais de 100 civis que morreram durante a ação.
Chacinas e Consequências
Menos de um ano após sua posse, o Rio de Janeiro já havia testemunhado uma operação que se tornaria a mais letal até então. A chacina do Jacarezinho, ocorrida em maio de 2021, resultou na morte de 28 pessoas, sendo 27 civis e um policial. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) revelaram que quatro das vítimas foram alvejada pelas costas.
Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo destacou que, das 27 pessoas falecidas, 24 não tinham mandados de prisão ou processos criminais pendentes no Tribunal de Justiça do Rio. A Polícia Civil defendeu, na época, que a operação foi baseada em um longo processo de investigação e informações de inteligência. Contudo, dos 21 alvos previstos, 15 não foram localizados.
Em maio de 2022, uma nova operação na Vila Cruzeiro, localizada no Complexo da Penha, resultou em mais 23 mortes, todas civis. A despeito das dificuldades enfrentadas, as autoridades afirmaram que o objetivo era capturar líderes do Comando Vermelho que estavam escondidos na comunidade. Para isso, a ação mobilizou tropas do Bope, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além de blindados e helicópteros.
É importante ressaltar que, poucos meses antes, em fevereiro, outra operação na mesma localidade resultou em oito mortes, mas sem prisões realizadas.
Outras Ações e Seus Impactos
Além dessas operações notórias, a gestão de Castro contabiliza uma série de ações violentas. Em outubro de 2020, uma operação em Itaguaí resultou em 12 mortes; em julho de 2022, uma incursão no Complexo do Alemão deixou 17 mortos, incluindo um policial; e em março de 2023, uma operação em São Gonçalo e Salgueiro provocou a morte de 13 pessoas. Este histórico de violência e operações letais traz à tona o espectro de uma gestão marcada por confrontos e tragédias.

