Candidaturas em Debate
O cenário político no Rio de Janeiro está agitado com as especulações sobre as candidaturas ao Senado, à presidência da Alerj e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um dos principais nomes em pauta é o ex-governador Cláudio Castro, que poderá se lançar ao Senado em uma candidatura “sub judice”. Esse termo refere-se a uma situação em que o candidato possui pendências jurídicas que precisam ser resolvidas antes da diplomação, permitindo que ele concorra e seja votado, mas sem a segurança total de que sua candidatura será aceita.
A dúvida que paira sobre o Partido Liberal (PL), legenda de Castro, é se o partido continuará a apoiar sua candidatura ao Senado. O risco associado a uma candidatura nessas condições é elevado, já que a possibilidade de inelegibilidade pode tornar a proposta menos atraente para a sigla.
Implicações da Inelegibilidade
Um ponto crucial a considerar é que, mesmo concorrendo sob a condição de “sub judice”, Castro não teria acesso a recursos públicos. Isso representa um golpe significativo em sua campanha, como esclarece o especialista em direito eleitoral, Guilherme Barcelos. Ele explica que, a partir de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe que candidatos manifestamente inelegíveis recebam verbas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha ou do Fundo Partidário. Assim, a candidatura começa com um fator de desvantagem.
Além disso, caso Castro vença as eleições, mas seja derrotado na Justiça, o partido poderia perder todos os votos obtidos, permitindoo que o candidato com a melhor colocação assumisse a vaga. Essa perspectiva é alarmante para os líderes do PL, que avaliam outras opções.
Nomes em Análise
Entre os bastidores, dois nomes estão sendo considerados pelo PL para a disputa ao Senado. O senador Carlos Portinho aguarda a definição da legenda sobre seu futuro nas eleições. A candidatura de Castro gera incertezas para Portinho, que chegou a ponderar a possibilidade de mudar de partido, mas confirmou à CBN que permanecerá no PL.
Outra figura em discussão é Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil. Curi já estava sendo considerado para uma candidatura a deputado federal, mas, diante da situação delicada de Castro, sua popularidade pode abrir portas para uma posição mais alta. Em entrevista à CBN, ele afirmou que sua intenção é concorrer a deputado federal, sem estar vinculado a nenhuma legenda.
Presidência da Alerj e Outras Vagas
Outro ponto de atenção é a presidência da Alerj, que fica em aberto após a cassação de Rodrigo Bacellar. Com sua saída, os parlamentares devem se articular para escolher um novo presidente da Assembleia, embora essa escolha dependa das regras de eleição indireta para governador. O PL tem interesse em saber se Douglas Ruas e Nicola Miccione poderão concorrer nessa disputa, uma vez que isso pode influenciar na definição dos nomes para a presidência.
O deputado estadual Guilherme Delaroli é uma opção forte se a eleição para a presidência ocorrer. Contudo, se o Supremo Tribunal Federal (STF) mantiver as exigências de desincompatibilização, Delaroli pode ser forçado a disputar o governo, complicando ainda mais a situação.
Uma Vaga no TCE
Ademais, não se pode descartar a possibilidade de uma vaga no TCE, que se tornou relevante após a renúncia de Domingos Brazão. Este cargo é considerado um prêmio, sendo vitalício, com um salário elevado e diversos benefícios. Uma alternativa que o partido pode considerar é desistir de sua candidatura ao Senado e oferecer a Cláudio Castro a posição no TCE. Nesse caso, Castro e Thiago Pampolha, ex-governador e ex-vice, se tornariam colegas no Tribunal, em uma reviravolta irônica na política fluminense.

