O Carnaval como Palco de Conscientização
No dia 17 de fevereiro, a Avenida Mem de Sá, situada no coração do Rio de Janeiro, se tornará um verdadeiro espaço de resistência e conscientização durante o carnaval. O bloco Quizomba, que faz parte da Liga Amigos do Zé Pereira, se unirá ao levante ‘Mulheres Vivas’ para levantar a bandeira contra o feminicídio. Esta iniciativa, que já mobilizou mais de 100 municípios em todo o Brasil, marca sua estreia no carnaval de rua da capital fluminense, transformando a festa em um grito pela vida.
A proposta é aproveitar a energia contagiante do carnaval para lançar um apelo social. Rachel Ripani, criadora do levante, destaca a importância de utilizar a festividade como uma plataforma de manifestação. “Pensamos que o carnaval, que já conta com a campanha ‘Não é Não’, poderia ser uma excelente oportunidade para abordar esse tema de forma mais leve e lúdica, sem seguir os moldes das manifestações tradicionais”, explicou.
Inovações que Alegram e Engajam
Com uma abordagem criativa, o levante trará uma série de atividades durante o carnaval, incluindo:
- Alas Itinerantes: Mulheres que se deslocarão entre os blocos, simbolizando a luta e a união do movimento.
- Identidade Coletiva: Adoção de tatuagens temporárias e abadás com a marca do levante, reforçando a presença da causa nas ruas.
- Hino de Resistência: Uma marchinha original criada pela talentosa artista Fernanda Maia, com a letra inspiradora que chamará as mulheres a se unirem pela vida e pela liberdade.
Letra da Marchinha
O hino, que promete embalar as multidões, traz versos que ecoam a força e a determinação do movimento:
“Simbora, povo, simbora
Vamos pra rua
Batucando no coração
A rua é nossa, simbora
Vem ser feliz
Nosso riso é revolução…”
A letra completa enfatiza a importância de estar viva e unida, criando um sentimento coletivo que será manifestado durante a folia.
O Quizomba e Seu Compromisso Social
Embora o levante tenha suas origens em São Paulo, o Quizomba, com 25 anos de tradição no carnaval carioca, traz essa mensagem ao coração do Rio. O bloco, que inclui 65% de mulheres em sua bateria, se tornou um espaço propício para discutir pautas de gênero e outras questões sociais enquanto comemora a alegria do carnaval.
Este ano, o enredo do bloco é “Verde que te quero ver”, focando em ações ambientais. No entanto, Andre Schmidt, fundador do Quizomba, reafirma o compromisso do bloco com questões sociais relevantes, como a campanha contra o feminicídio, que será abraçada durante o desfile. “Carnaval é também um espaço para reflexão. Vamos falar sobre sustentabilidade, mas também sobre a importância de apoiar o levante de mulheres”, comentou.
Apoios Governamentais e Campanhas Educativas
Além do apoio do bloco, as secretarias estaduais da mulher e do turismo também se mobilizarão para promover campanhas de conscientização ao longo do carnaval. Em uma parceria com a Livre de Assédio, o SindRio e a Abrasel, a meta é capacitar profissionais de bares, hotéis e eventos para oferecer acolhimento e proteção a possíveis vítimas de violência de gênero.
Na Marquês de Sapucaí, a campanha “Não é Não! Respeite a decisão” será promovida, com equipes distribuindo materiais informativos sobre locais de acolhimento e contatos de emergência. A Secretaria de Estado da Mulher também incentive a utilização do aplicativo Rede Mulher, que facilita o acesso a serviços de proteção e assistência para mulheres em situações de risco, funcionando em modo camuflado para segurança.
Um Carnaval de Luta e Alegria
O Carnaval 2024 se apresenta como um evento de celebração e resistência, onde a luta contra o feminicídio se torna parte da folia. O Quizomba e o levante ‘Mulheres Vivas’ mostram que a festa pode e deve ser um espaço para reafirmar direitos e promover a vida. A concentração do desfile está marcada para às 8h, com a expectativa de atrair cerca de 40 mil foliões, que não apenas celebrarão, mas também ecoarão a mensagem de força e união.

