Uma Odisseia Cativante pela Cidade Maravilhosa
Em uma reflexão sobre 2025, o Rio de Janeiro se revela através das lentes de um apaixonado, evocando a poética de Lobato e sua visão de um “Almoxarifado de Deus”. É possível encontrar beleza equivalente em algum outro lugar? Caminhando pela orla, nos deparamos com paisagens que encantam, onde a luz do sol colore as meninas que, como nas memórias de Vininha, trazem à tona nossos amanheceres e pores do sol. Uma pausa para o mate gelado e o famoso Biscoito Globo é um ritual quase sagrado, embora eu só consiga ir até o final do Leblon.
A icônica “Garota de Ipanema”, as canções de Os Inocentes do Leblon e a nostalgia do “Menino do Rio” ecoam em cada canto. Esta cidade é uma mistura vibrante de Vininha, Drummond e Caetano, embalada por melodias que embalam as noites cariocas. Ao cair da manhã, após um deleite de encantos, o poeta, já cansado pelas serenatas, volta ao lar. A bailarina repousa com suas sapatilhas, enquanto o trabalhador se levanta para mais um dia repleto de desafios cotidianos.
Na praia, a movimentação começa com os primeiros banhistas, e a atmosfera se enche de vozes: “Olha o Biscoito Globo, salgado e doce!”, “Ói o mate, olha a limonada gelada!”, e “Sanduíííííííícheeeeeeeeeeee naaaaaaaaaturaaaaaaaaal!”. As delícias à beira-mar se misturam a aromas como coalho na brasa, biquínis coloridos e bronzeadores que formam uma babel democrática, típica da praia carioca. Dos calçadões de Copacabana a Ipanema, passando pelo Leblon até o Pontal, as palavras de Tim Maia ressoam: “… não há nada igual!”.
O Rio é uma sinfonia ininterrupta; ele flui e amanhece a cada nova jornada. É o Rio de Fernanda, de Ruy, de Chico e tantos outros, que fazem parte de sua rica tapeçaria cultural. Cada dia é uma nova oportunidade, e assim como a canção que diz: “o Sol há de brilhar mais uma vez…”, a luz sempre brilha nos corações dos apaixonados.
Com coragem e graça, o Rio sorri para seus filhos. Mesmo com 50°C à sombra, o Astro-Rei aparece, tímido atrás das nuvens Cumulus, ensaiando um espetáculo de cores nas encostas das montanhas arariboianas. O céu se tinge de magenta, alaranjado e dourado, criando uma explosão de beleza visual.
No embalo da tarde, as notas de Menescal e Bôscoli nos transportam através das canções que falam sobre a leveza do barquinho deslizando sobre as águas. À medida que a tarde avança, aviões e helicópteros se recolhem, e o vendedor de geladinhos e os turistas buscam uma última selfie diante de tamanha beleza. Quando a noite chega, a cidade se transforma, com seus carros em movimento frenético, retornando para casa, como bravos guerreiros após um dia de batalha.
O Rio de Janeiro é singular em sua pluralidade, ímpar na companhia de seus pares. É um “soRio” que vai de janeiro a janeiro, fevereiro, março… Eu rio porque sou do Rio.

