Bad Bunny e a Tensão Política Durante o Super Bowl
O renomado artista latino Bad Bunny, atualmente o músico mais ouvido globalmente, foi a atração principal no show do intervalo do Super Bowl, um dos eventos de entretenimento mais assistidos do planeta. No entanto, a performance rapidamente ganhou contornos políticos nos Estados Unidos, especialmente devido às críticas do presidente Donald Trump. O embate entre a música de Bad Bunny e as posturas políticas de Trump ilustra um conflito mais profundo que envolve questões de imigração e identidade cultural.
A escolha de Bad Bunny como o artista principal foi anunciada em 28 de setembro de 2025, provocando uma reação instantânea de Trump. Em diversas entrevistas, o presidente se disse “absolutamente ridículo” com a decisão, alegando que nunca havia ouvido falar do cantor e acusando-o de “espalhar ódio” por meio de suas letras e declarações.
Esse confronto reverberou de forma intensa nas redes sociais, gerando debates acalorados entre os apoiadores de Trump e os fãs do cantor. O caso se destaca não apenas pela relevância de Bad Bunny no cenário musical, mas também por sua postura política em defesa da cultura latino-americana e críticas à política de imigração implementada pelo governo Trump.
Bad Bunny e sua Posição Política
Durante sua carreira, Bad Bunny se manifestou abertamente contra o ICE, o Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA, e, em uma de suas apresentações no Grammy, chegou a proferir a frase “Fora, ICE”, em um claro posicionamento contra a repressão às comunidades latinas. Sua atuação no Super Bowl, em 8 de fevereiro de 2026, não foi apenas um momento de entretenimento, mas uma oportunidade de amplificar essas vozes e valores.
Antes do evento, um assessor da Casa Branca insinuou a possibilidade de enviar agentes federais de imigração para o estádio onde a partida seria realizada, um feito sem precedentes na história americana. Embora tal ação não tenha se concretizado, a ameaça foi interpretada como uma tentativa de intimidar o grande público latino que compareceria ao evento.
Além disso, a natureza majoritariamente em espanhol do show provocou reações entre aliados de Trump, que questionaram a identidade nacional e a verdadeira essência da “cultura americana”. Essa crítica evidencia a resistência de muitos setores a uma maior valorização da língua e cultura latina nos Estados Unidos.
A Identidade Cultural de Bad Bunny
Benito Antonio Ocásio Martínez, conhecido como Bad Bunny, é natural de Porto Rico, um território dos Estados Unidos. Apesar de os porto-riquenhos possuírem cidadania americana, não têm direito a voto nas eleições federais. A realidade política da ilha é complexa, com o Congresso dos EUA controlando diversos aspectos, desde as forças armadas até as relações comerciais.
No seu mais recente álbum, Bad Bunny aborda esses temas, com canções que discutem a luta por autonomia e os desafios enfrentados por seu povo, como em “Lo que le pasó a Hawaii”. Para muitos especialistas, o embate entre Trump e Bad Bunny simboliza um choque entre visões de futuro: de um lado, o nacionalismo e a tentativa de homogeneização da identidade americana, e do outro, a afirmação e valorização da cultura latina e suas raízes. Esse conflito é um reflexo de um debate mais amplo sobre imigração e direitos civis que permeia a sociedade norte-americana contemporânea.
As reações ao show do intervalo do Super Bowl revelam a importância de Bad Bunny não apenas como artista, mas como uma voz que representa milhões de latinos nos Estados Unidos, lutando por reconhecimento e respeito em um cenário político adverso.

