Lideranças Evangélicas como Fator Decisivo
A corrida eleitoral pelo Palácio Guanabara no Rio de Janeiro já está aquecida, com as pré-candidaturas do prefeito Eduardo Paes (PSD) e do secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL), buscando o apoio de influentes lideranças evangélicas. Recentemente, Paes anunciou a advogada Jane Reis (MDB), uma evangélica casada com um pastor, como sua provável candidata a vice-governadora. No entanto, esse movimento não foi bem recebido por todos, como demonstrou o pastor Silas Malafaia, que rompeu com Paes e, em um culto, apresentou Douglas como seu preferido para a chapa.
O eleitorado cristão desempenha um papel crucial no estado, onde 32% da população se identifica como evangélica, superando a média nacional de 27%. Durante a inauguração de um novo templo da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia não hesitou em destacar Douglas, pedindo aplausos para o secretário e afirmando que “coisas boas” estão a caminho para ele.
— Fica de pé, Douglas. Vocês podem dar um aplauso, por favor? Coisas boas, não é coisa ruim, não — afirmou Malafaia em meio à sua congregação.
Douglas, presente no evento acompanhado de Bruno Bonetti, senador suplente e um dos aliados mais próximos do presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, elogiou Malafaia, referindo-se a ele como uma “referência” e destacando o novo templo como “uma casa de muitas bênçãos”. Essa troca de elogios aconteceu logo após Malafaia anunciar que fará campanha contra Paes, acusando-o de se aliar a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de “debochar do povo cristão” durante um desfile de escola de samba que homenageou o ex-presidente.
Conflitos e Alianças Nas Candidaturas
Sobre a relação com o PL, Malafaia indicou que dará seu apoio a Douglas ou a Felipe Curi, chefe da Polícia Civil, ambos nomes cogitados pelo partido para a corrida ao governo estadual, e rivais diretos de Paes.
— Não adianta o Paes colocar uma vice evangélica, pois não mudarei de posição — avisou Malafaia em entrevista ao GLOBO.
A escolha de Jane Reis para a vice foi uma tentativa clara de conquistar o eleitorado evangélico. Em entrevista à CNT, Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e irmão de Jane, destacou suas qualidades como “advogada”, “grande mãe” e “mulher de pastor” para justificar a escolha de Paes.
Reis ainda criticou a montagem da candidatura bolsonarista ao governo estadual, ressaltando que não estava disposto a “embarcar em aventura”. Em sua declaração, ele deixou claro que não estava disposto a esperar o candidato que o PL programasse para o pleito.
— Decidi não embarcar em aventura, pois meu ativo político não se presta a isso — declarou Reis à CNT, referindo-se à inexperiência de Douglas e Curi nas disputas eleitorais.
Apoios e Expectativas para o Futuro
Apesar de recusar o alinhamento com o PL, Reis garantiu que apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, embora Paes, por sua vez, esteja ao lado de Lula. Reis fez questão de separar as discussões sobre a chapa para o governo das possíveis alianças para outros cargos.
Em relação à corrida ao Senado, Reis confirmou que pedirá votos para o atual governador, Cláudio Castro (PL). Caso Castro se candidate, a Assembleia Legislativa (Alerj) terá que escolher um governador interino até o final do ano, e Reis já expressou apoio ao chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, que é o preferido de Castro para o cargo.
A aliança com Paes foi firmada após uma reunião no dia 12, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou um julgamento que poderia reverter a inelegibilidade de Reis. Assim, ele decidiu que não seria candidato neste ano, enquanto conversava com Paes sobre política.
— Paes me convidou para ser governador ao meu lado, e quando mencionei Jane, ele aceitou a ideia prontamente — contou Reis, enfatizando o apoio mútuo e as expectativas para as futuras candidaturas.

