Os Perigos da Manipulação Irregular
A manipulação irregular de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” tem gerado preocupações crescentes em relação à saúde pública. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) emitiu um alerta indicando que essa prática, que envolve a produção em lote desses produtos, é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode colocar a saúde de muitos pacientes em risco. Nos últimos anos, a demanda por esses medicamentos, especialmente nas redes sociais e clínicas estéticas, aumentou significativamente, levando à proliferação de versões manipuladas que muitas vezes não atendem às normas sanitárias estabelecidas.
A superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, afirma que a manipulação inadequada pode comprometer a eficácia e a segurança do tratamento. “Esses produtos exigem processos rigorosos de fabricação e controle sanitário. Quando manipulados de forma inadequada, os pacientes podem estar utilizando medicamentos que não têm garantias de qualidade, eficácia ou segurança”, ressalta Keller.
Legislação e Riscos Associados
De acordo com a legislação brasileira, medicamentos manipulados devem ser preparados de maneira individualizada, baseado em uma prescrição médica específica. A produção em larga escala, como é o caso da fabricação em lote para comercialização, é estritamente proibida. Contudo, essa prática tem se tornado uma preocupação constante para as autoridades sanitárias, que alertam para o fato de que farmácias de manipulação não podem produzir medicamentos em série, uma atividade reservada apenas para indústrias farmacêuticas devidamente registradas.
A coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo, destaca que muitas vezes esses produtos são comercializados em clínicas estéticas ou através da internet, sem qualquer garantia de procedência. “Sem controle sanitário adequado, não é possível assegurar a composição do produto, a dosagem correta ou até mesmo as condições de esterilidade necessárias para medicamentos injetáveis”, enfatiza Melo.
A Complexidade na Produção de Medicamentos Emagrecedores
O farmacêutico Marcelo Frota, que atua como inspetor sanitário na Divisão de Medicamentos da Vigilância Sanitária da SES-RJ, explica que diversas substâncias utilizadas para essas terapias têm origem biotecnológica e são produzidas por processos industriais altamente controlados. “Existem medicamentos desse grupo que são obtidos através de processos biotecnológicos, e toda a cadeia produtiva passa por rigorosos controles de qualidade”, afirma Frota.
Ele alerta que tentar reproduzir esses medicamentos em farmácias de manipulação pode resultar em incompatibilidades ou preparações sem a eficácia desejada. “Se uma matéria-prima diferente for utilizada, o resultado pode ser insatisfatório, expõe o paciente a doses inadequadas ou até mesmo a produtos que não produzem o efeito esperado”, acrescenta.
Importância da Prescrição Médica
Outro ponto crítico levantado é a origem das substâncias utilizadas nas preparações manipuladas. Sem controle sanitário, não há garantias sobre a qualidade dos insumos utilizados. Medicamentos injetáveis, especialmente, devem seguir padrões rigorosos de esterilidade, pois qualquer contaminação pode causar infecções sérias. O inspetor sanitário alerta: “A aplicação de um produto injetável sem garantir a qualidade pode levar a problemas graves, como infecções ou inflamações”.
A SES-RJ enfatiza que o uso dessas canetas emagrecedoras deve ser sempre feito com prescrição médica e sob supervisão profissional. É crucial que os pacientes adquiram medicamentos apenas em locais autorizados, evitando aqueles oferecidos em redes sociais ou em estabelecimentos não regularizados. “Antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente deve passar por uma avaliação médica para garantir que o medicamento utilizado seja regulamentado e adquirido de forma confiável”, orienta a superintendente Helen Keller.
Além disso, a Vigilância Sanitária recomenda que quaisquer suspeitas de irregularidades envolvendo medicamentos sejam comunicadas às autoridades competentes, contribuindo assim para a proteção da saúde pública. Para denúncias, os cidadãos podem entrar em contato com a Ouvidoria da Vigilância Sanitária estadual pelo telefone 0800 025 5525 ou acessar o site oficial para mais informações.

