Impactos da Guerra na Ucrânia no Setor Energético
A guerra na Ucrânia teve um impacto significativo nas estratégias de investimento das petroleiras, conforme destacou Anders Opedal, CEO da Equinor. Ele observa que o discurso sobre sustentabilidade tem sido ofuscado por uma crescente ênfase na segurança energética. Em sua recente declaração, Opedal mencionou que a indústria, focada em uma agenda ambiental, agora enfrenta um novo desafio: garantir o abastecimento energético em um cenário global volátil.
No último mês, Opedal se reuniu com o presidente Lula para discutir o Campo de Raia, localizado na Bacia de Campos, que promete atender 15% da demanda nacional de gás, correspondente ao consumo de São Paulo. A Equinor está ampliando seu portfólio com fontes renováveis, como o complexo Serra da Babilônia, na Bahia, que combina energia solar e eólica.
Perspectivas de Preços e Estrutura Tributária
Durante a entrevista, Opedal comentou sobre o atual preço do petróleo, em torno de US$ 60, e seu impacto nos projetos da empresa no Brasil. Ele destacou que o setor de óleo e gás é cíclico e, ao desenvolver um projeto, a Equinor considera não apenas o preço atual, mas um horizonte de longo prazo. “Nosso foco é na criação de valor e na minimização do ponto de equilíbrio. O projeto Bacalhau, por exemplo, é robusto mesmo em um cenário de preços baixos”, afirmou.
O CEO também destacou a importância de um sistema tributário estável, citando como referência o modelo do Reino Unido, que tem enfrentado instabilidades que desencorajaram investimentos no setor. Ele acredita que o Brasil apresenta um cenário mais confiável, com regras que são respeitadas, permitindo à Equinor investir de forma significativa em projetos de petróleo e gás até 2030.
Transição Energética em Debate
Com a recente mudança de foco das petroleiras, Opedal mencionou que a Equinor se tornou um dos principais fornecedores de energia para a Europa, especialmente com a diminuição do fornecimento de gás russo. Ele notou que a sustentabilidade foi, em muitos países, substituída por uma preocupação imediata com a segurança energética, levando à necessidade de contratos de longo prazo com empresas europeias.
“Enquanto continuamos a investir em energia renovável, como projetos solares e eólicos, é claro que a demanda por petróleo e gás se manterá por um bom tempo. Portanto, estamos reforçando nossos investimentos nessas áreas tanto no Brasil quanto em outros países”, comentou Opedal.
Desafios e Oportunidades no Setor Energético
Ao abordar a recepção popular às energias renováveis, o CEO destacou uma mudança de percepções. Há cinco anos, a Agência Internacional de Energia sustentava que novos poços de exploração não eram necessários. Agora, a realidade é outra, com a necessidade de investimentos para manter a produção estável.
Opedal também falou sobre os novos investimentos planejados em Campos e Santos, além de projetos de exploração em parceria com a Petrobras, como Jaspe e Itaimbezinho, destacando a estratégia da Equinor de se concentrar em áreas onde possui expertise.
Oportunidades de Emprego e Desenvolvimento Industrial
Na reunião com Lula, Opedal ressaltou o potencial do projeto Raia, que representa um investimento significativo de cerca de US$ 9 bilhões e pode gerar cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos, além de outras 50 mil vagas ligadas ao projeto Bacalhau. O CEO destacou a importância desse investimento para a criação de novas indústrias no Brasil, em vez da dependência de importações de gás.
Desafios Logísticos e Investimentos em Renováveis
Um dos desafios discutidos foi a construção do gasoduto próximo à Rota 2, que permitirá fornecer gás à indústria a partir de 2028. Opedal também delineou a estratégia da Equinor para diversificar seu portfólio de energias renováveis no Brasil, com projetos em várias regiões, como Apodi (CE), Serra da Babilônia (BA) e Mendubim (RN).
O CEO encerrou a entrevista enfatizando a dedicação da Equinor em garantir um futuro energético sustentável e acessível, equilibrando a transição para energias renováveis com a necessidade contínua de petróleo e gás.

