A Noite de Encerramento da Turnê ‘Dominguinho’
João Gomes foi, sem dúvidas, o artista que mais transitou pelos diversos ritmos da música brasileira em 2025. O projeto ‘Dominguinho’, que uniu o cantor pernambucano a Jota.Pê, de São Paulo, e ao sanfoneiro sergipano Mestrinho, desempenhou um papel fundamental na expansão do trabalho de Gomes, conseguindo levar seu canto além dos limites do piseiro. O projeto nasceu a partir de um álbum acústico, gravado no charmoso Centro Histórico de Olinda (PE) e lançado em 18 de abril. O sucesso do disco resultou em uma turnê que percorreu o Brasil, sempre com casas cheias. O desfecho da rota de 2025 aconteceu na última noite, 26 de dezembro, com a derradeira apresentação do trio na Brava Arena Jockey, localizada no Rio de Janeiro (RJ).
Em uma atmosfera calorosa e acolhedora, o público lotou as duas pistas e os camarotes, formando um impressionante coro junto aos artistas em canções como “Beija-flor” de Jota.Pê (2015) e o xote clássico “Eu só quero um xodó”, de Dominguinhos com Anastácia (1973). A energia compartilhada entre os presentes elevou a experiência do show a um patamar memorável.
Repertório e Convidados Especiais
No álbum ‘Dominguinho’, o trio interpretou uma variedade de sucessos, incluindo “Flor de flamboyant (Estrela da manhã)”, uma obra de Kara Veia, cantor e vaqueiro que nos deixou precocemente aos 31 anos, e “Pontes indestrutíveis” (2007), um reggae que faz parte do repertório da icônica banda Charlie Brown Jr. No entanto, a apresentação foi além do que estava previsto, com a inclusão de convidados especiais que abrilhantaram ainda mais a festa musical. A temporada na Brava Arena Jockey teve início com uma surpresa: a icônica Marisa Monte apareceu no show do dia 20 de dezembro. Para a última apresentação, Maria Gadú também compartilhou o palco, que era adornado com um telão de LED, criando a ilusão de que o trio se apresentava em uma rua de Olinda.
Maria Gadú trouxe ao palco as canções “Desde que o samba” (de Caetano Veloso, 1993) e “Asa Branca” (de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947), ressaltando a forte ligação do Nordeste com a essência do repertório de ‘Dominguinho’. Apesar da presença ilustre de convidados, o trio demonstrou que sua química já era suficiente para manter o público completamente cativado. A apresentação, que se estendeu por impressionantes duas horas e meia, manteve todos os espectadores em total atenção.
Momentos Brilhantes e Mensagens Poderosas
Durante o show, também houve espaço para os momentos de destaque individual. Jota.Pê, por exemplo, recebeu uma calorosa ovação ao interpretar sua canção autoral “Ouro marrom” (2023). A música se destaca pela sensibilidade com que aborda questões relacionadas à negritude e ao racismo estrutural, enfatizando o orgulho de ser negro. Essa profundidade nas letras é um reflexo do comprometimento do artista em trazer à tona temas significativos em sua música.
Assim, a turnê ‘Dominguinho’ não apenas proporcionou um espetáculo vibrante, mas também se tornou uma plataforma para discussões importantes, sem deixar de lado a conexão emocional com o público. Essa combinação única é o que fez de 2025 um ano memorável para todos os envolvidos, reforçando o poder da música como agente de transformação e união.

