Medida visa combater a violência em hospitais e clínicas
Trabalhar em hospitais e clínicas do Rio de Janeiro agora requer um novo nível de proteção. Com a recente sanção de uma lei pelo governador Cláudio Castro, todas as unidades de saúde, sejam públicas, privadas ou conveniadas, deverão instalar um botão de pânico. Esta norma foi oficialmente publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (19) e surge em um contexto de crescente violência contra os profissionais de saúde, que têm enfrentado situações de perigo durante o exercício de suas funções.
A proposta, embora simples, é de grande importância: o botão permite que médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e outros trabalhadores acionem rapidamente a polícia em momentos de risco. Com isso, o governo do estado pretende diminuir o tempo de resposta em situações de ameaça e promover um ambiente hospitalar mais seguro para todos os envolvidos.
A urgência do botão de pânico no Rio de Janeiro
A criação desta lei é uma resposta a um problema que não pode ser ignorado. Os casos de violência nas unidades de saúde tornaram-se uma realidade preocupante e frequente. Segundo o deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), responsável pela proposta, a situação chegou a um ponto insustentável. “Infelizmente, essas situações não são isoladas. As agressões são parte do cotidiano desses profissionais”, declarou. Diante desse cenário alarmante, o botão de pânico se apresenta como uma solução direta para um desafio estrutural que compromete a saúde física e emocional dos trabalhadores.
Entendendo a Lei do Botão de Pânico
A nova legislação, designada como Lei 11.070/2025, é o resultado do Projeto de Lei 1.975/2023. O texto da lei estabelece que todos os estabelecimentos de saúde devem implementar um sistema que possa acionar, de forma imediata, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) em situações de emergência. O acionamento será realizado através do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), garantindo que o pedido de ajuda não dependa de ligações telefônicas ou de intermediários, o que torna o processo mais ágil.
Tipos de violência que justificam o acionamento
A legislação adota um conceito abrangente para o que configura violência contra os profissionais da saúde. O botão de pânico pode ser acionado em casos que resultem em morte, lesão corporal, danos psicológicos ou psiquiátricos. Além disso, também inclui prejuízos patrimoniais e ameaças à integridade física ou aos bens dos trabalhadores. Isso significa que o dispositivo pode ser utilizado em situações de agressões consumadas, bem como em momentos de risco iminente, reconhecendo que a violência no ambiente de saúde pode não iniciar necessariamente com o contato físico.
Dados que destacam a urgência da iniciativa
Um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) evidencia a gravidade do problema. As estatísticas revelam que um médico é agredido a cada três dias no estado. Aproximadamente 67% dessas agressões ocorrem na rede pública de saúde, com as mulheres representando 62,5% dos casos registrados apenas no primeiro semestre de 2023. Esses dados reforçam a necessidade urgente de medidas preventivas, justificando assim a implementação da lei do botão de pânico.
Financiamento da instalação do botão de pânico
A nova legislação também esclarece como será o financiamento para a instalação do sistema. A implementação do botão de pânico será financiada por meio do orçamento anual da Secretaria de Estado de Saúde. O Fundo Estadual de Saúde (FES) também pode ser utilizado para cobrir as despesas relacionadas à instalação e manutenção do sistema. Com isso, o governo busca assegurar que a exigência legal não fique apenas no papel.
Com a entrada em vigor da nova lei, os profissionais da saúde passam a contar com uma ferramenta direta de proteção em seus locais de trabalho. A expectativa é de que uma resposta mais rápida auxilie na prevenção de conflitos antes que se tornem mais graves. Além disso, a simples presença do botão de pânico pode servir como um inibidor de comportamentos violentos. Ambientes mais seguros, por sua vez, tendem a oferecer melhores condições tanto para os trabalhadores quanto para os pacientes que buscam atendimento. Dessa forma, a nova lei transforma a segurança em uma política pública permanente, reconhecendo que cuidar de quem cuida é também uma responsabilidade do Estado.

