Mural no Catete revela lutas locais contra a hidrovia Araguaia-Tocantins
Na zona sul do Rio de Janeiro, quem passa pelo bairro do Catete encontra um mural de 11 metros que retrata três mulheres representativas das comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas do rio Tocantins. A obra, inaugurada nesta segunda-feira (31), foi criada para evidenciar os efeitos da hidrovia Araguaia-Tocantins sobre essas populações tradicionais.
Responsável pela peça, a artista indiana Shilo Shiv Suleman, fundadora da Fearless Foundation for the Arts, dedica seu trabalho a registrar a força feminina e a denunciar injustiças ambientais. Desde 2012, ela e seu coletivo já produziram 95 murais pelo mundo, sempre com base na escuta ativa das comunidades retratadas.
“Elaborei uma metodologia para que a voz da comunidade se reflita na obra e que as pessoas possam se reconhecer nela. Enquanto denunciamos o impacto do agronegócio no Brasil, na Índia também ocorrem protestos contra projetos que conectam rios, como Ken e Betwa”, explicou Suleman ao Brasil de Fato.
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O mural como expressão das lutas do Norte do país
Antes de chegar ao Rio, o grupo esteve na Vila Tauiry, no Pará, onde criou um mural dedicado ao Pedral do Lourenção, formação rochosa ameaçada pela hidrovia. Essa ação busca dar visibilidade às resistências da região Norte, muitas vezes ignoradas pelo Estado em grandes empreendimentos.
Representante da Aliança Chega de Soja, uma das organizações por trás do projeto, destacou que esses empreendimentos desconsideram as comunidades locais e reforçam a importância de dar voz a essas populações.
Lilian Terena, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ressaltou o papel das mulheres em seus territórios para enfrentar a crise climática e defender o respeito aos povos originários. “Nosso território é sagrado, é nossa vida, e a continuidade do planeta depende da preservação desses espaços”, afirmou.
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A resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece que obras com grande impacto devem passar por consulta prévia às populações afetadas, reforçando a necessidade de diálogo e respeito às comunidades tradicionais.

