Contexto da tragédia e irregularidades na documentação do ônibus
O ônibus envolvido no acidente fatal no km 91 da BR-040, em Petrópolis, tem uma história confusa que envolve múltiplas empresas. Embora a lataria exiba o nome Estrela Guia Turismo, o veículo está registrado oficialmente em nome de outra companhia, a PIT Tur Transportes e Viagens Ltda, e a venda foi comunicada pela Dinna Elles Turismo. Nenhuma dessas empresas possui autorização para operar transporte interestadual de passageiros conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Disputa e comunicação entre proprietários e compradores
O advogado Aroldo Leão Braz, defensor do proprietário da Estrela Guia Turismo, esclarece que a empresa é responsável pelo fretamento turístico do ônibus de placa AKY-3454. Porém, a Estrela Guia ainda estava pagando o veículo para a Pit Tur, que trabalha com compra e revenda de ônibus. Assim, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) permanecia em nome da Pit Tur, e as transferências bancárias, além das conversas por WhatsApp, são as únicas evidências dessa negociação.
Leandro Androciolli, dono da Dinna Elles e segundo proprietário do ônibus, explica que comunicou a ANTT sobre a venda do veículo, mas o nome da Dinna Elles permaneceu no CRLV por algum tempo, o que gerou atrasos na transferência oficial. Ele relata que a situação era complicada e só foi resolvida recentemente, o que o deixou bastante apreensivo. Leandro também destaca que o ônibus, fabricado em 2003 pela Mercedes-Benz, sempre recebeu manutenção adequada e tinha seguro-viagem na época em que estava sob sua responsabilidade.
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Problemas financeiros e suspeita de falha humana no acidente
Leandro comenta que atualmente nem o IPVA de 2026 foi pago, o que indica descuido na gestão do veículo. Ele acredita que a tragédia pode ter sido consequência de falha humana, mencionando relatos de alta velocidade na descida da serra e rodas do ônibus quentes, o que dificulta a frenagem. Além disso, uma obra que fechava a pista do lado direito teria forçado uma manobra brusca para a esquerda, resultando no tombamento do coletivo.
Histórico de compra e venda do ônibus entre as empresas
O ônibus foi vendido por Leandro em maio do ano passado para Daniel Freitas, proprietário da PIT Tur, que confirmou a compra para revenda. Curiosamente, em 2014, Leandro havia adquirido o mesmo veículo das mãos de Daniel, mas naquela ocasião regularizou a documentação imediatamente. A Estrela Guia Turismo, por sua vez, foi criada em 25 de maio deste ano, com o advogado Aroldo Leão Braz afirmando que esclarecerá todas as pendências documentais relacionadas ao veículo.
Operação clandestina e processos judiciais envolvendo PIT Tur
A ANTT não reconhece a Estrela Guia Turismo na operação do veículo, classificando a atividade como clandestina. Além disso, o nome da PIT Tur já apareceu em processos judiciais após um acidente em Minas Gerais, em novembro de 2023, envolvendo vítimas que solicitaram indenização. Naquela ocasião, o ônibus carregava o letreiro da PIT Tur, mas estava registrado em nome da Expresso Azul de Transporte S.A. O filho de Daniel Freitas afirmou ser o proprietário real por meio da Freitas Transportes Ltda.
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A Justiça mineira condenou a PIT Tur e a Freitas Transportes a pagar indenizações por danos materiais, reconhecendo a responsabilidade solidária entre as empresas devido à operação conjunta do transporte, mesmo que o veículo estivesse registrado em nome de uma delas e adesivado com o nome da outra. Danos morais foram rejeitados nos processos, e os valores das indenizações variaram conforme os prejuízos comprovados.
Posição dos responsáveis e lamentações sobre o acidente
Daniel Freitas, proprietário da PIT Tur, confirmou o pagamento das indenizações e lamentou o acidente em Petrópolis, que deixou dez mortos, incluindo uma gestante e uma criança. Ele comentou que, apesar das dificuldades de regularização, não cabe a ele julgar as condições da operação e que ouviu relatos sobre a alta velocidade do motorista no momento do acidente.

