Investigação Pioneira no Tratamento da Covid Longa
A Fiocruz, em um esforço sem precedentes, inicia o recrutamento de voluntários para um estudo clínico internacional que visa investigar a eficácia dos medicamentos upadacitinibe e pirfenidona no tratamento da Covid longa, também conhecida como Covid persistente. Essa condição é marcada pela continuidade de sintomas relacionados à infecção pelo vírus SARS-CoV-2, que podem se arrastar por um período mínimo de três meses após a infecção.
Os sintomas mais recorrentes incluem exaustão extrema, dificuldades respiratórias, dores musculares e problemas de concentração, comumente referidos como “névoa cerebral”. Maria Pia Diniz, coordenadora clínica do estudo no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), destaca: “Ainda não existe um padrão ouro para o tratamento da Covid longa. Esta é uma doença que permanece pouco compreendida, tanto por profissionais de saúde quanto pelos pacientes. Por isso, analisaremos a eficácia desses medicamentos ao longo de seis meses”.
Além do Brasil, outros centros de pesquisa envolvidos na investigação estão recrutando participantes em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, Uganda, Zâmbia e Itália. Essa colaboração internacional é crucial para entender melhor a Covid longa e suas implicações.
Diniz ressalta a complexidade da condição, afirmando que “geralmente, o tempo de recuperação pode variar de um a dois anos. No entanto, existem registros de casos em que os sintomas persistem por mais tempo. Diante dessa incerteza, a proposta é focar no controle das inflamações geradas pela Covid longa por meio de medicamentos que já são utilizados para tratar outras inflamações”.
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Critérios de Participação no Estudo
Para se inscrever no estudo, os interessados devem ser adultos com idades entre 18 e 65 anos que foram diagnosticados com Covid-19 há menos de quatro anos e que ainda experimentam sintomas como:
- Fadiga intensa;
- Dificuldades respiratórias;
- Problemas de memória ou concentração;
- Dores musculares, articulares ou alterações circulatórias.
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No entanto, não poderão participar do estudo aqueles que foram internados em Unidades de Terapia Intensiva (CTI) durante a fase aguda da Covid-19, além de pessoas que apresentem histórico de HIV, hepatite B ou C ativa, ou tuberculose. É fundamental que os candidatos não tenham manifestado sintomas gripais nos 30 dias anteriores à inscrição.
O estudo da Fiocruz representa um passo importante para a compreensão e tratamento da Covid longa, oferecendo esperança para muitos que ainda lidam com as sequelas da infecção. Com um enfoque em evidências científicas e pesquisa colaborativa, a iniciativa poderá contribuir significativamente para o avanço no manejo dessa condição complexa e debilitante.

