A Ascensão de Docy Moreira
Quando a diretora Luisa conheceu Docy Moreira, seu talento se destacou imediatamente. “Quando Marcella me mostrou a Docy, gostei na mesma hora”, relembra. A atriz passeou com maestria por uma variedade de emoções, transitando entre a ironia, o suspense, o drama, a comédia, o horror e a aventura. Cada cena exige celebração e reconhecimento, e Docy rapidamente se tornou uma musa para todos os que trabalharam com ela.
Filha caçula de uma família formada por nove mulheres, Docimar, conhecida artisticamente como Docy, deu início à sua carreira na vibrante cena teatral de Belo Horizonte. Foram quatro décadas dedicadas ao ofício da atuação. Embora tenha feito algumas aparições na TV Globo, sua atuação mais memorável foi na novela “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, exibida em 2008. No Canal Brasil, também protagonizou a série “Hit Parade”, que estreou em 2019. Nos últimos tempos, o universo dos streamings tem sido uma nova fronteira a ser conquistada, e em 2025, ela atuou na série “Pssica”, da Netflix.
Experiência e Evolução como Atriz
Em suas palavras, Docy revela a verdade sobre sua formação: “Aprendi o ofício no palco, como uma boa carpinteira. A distinção entre teatro e audiovisual é fascinante. No teatro, você tem domínio total da obra. No audiovisual, você é uma pequena parte de um todo que será apresentado. Não se trata de ego, mas da responsabilidade que vem de colocar uma obra em pé e conhecer sua essência.”\
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Entre as mais de 15 peças que compõem sua trajetória, “A Botocuda” se destaca como a mais significativa. A obra é uma reflexão íntima, onde a atriz explora como se adaptou às expectativas da sociedade. O título faz referência a uma etnia indígena de Minas Gerais, um elemento que está presente em parte de sua ancestralidade.
Uma Nova Perspectiva na Vida e na Carreira
Ao completar 50 anos, Docy enfrentou uma crise de identidade, mas encontrou consolo em um amigo que sugeriu que ela se dirigisse à sala de ensaio. “Passei seis meses sozinha e, depois, com o diretor Guilherme Morais, criando esse espetáculo. Ali, comecei a me ver como dona do meu nariz. Foi um período em que o audiovisual também começou a se abrir para mim”, conta a atriz. Sua atuação em “Espelho Cigano”, de João Borges, a rendeu uma menção honrosa de melhor atriz no Festival do Rio do ano passado. Atualmente, ela está envolvida no aguardado longa-metragem “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, que será lançado na Netflix.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
A Relação com as Redes Sociais e a Fama
A poucos passos de completar 60 anos, Docy se sente estranha com a pressão que os atores enfrentam para manter uma presença ativa nas redes sociais. Antes de sua estreia em “Os Outros”, ela tinha um perfil no Instagram que era fechado. Hoje, entrou no mundo digital com uma conta aberta, que funciona como um portfólio.
“Eu gostaria que o trabalho de ator permanecesse à parte do marketing, mas percebo que as duas coisas se misturaram de uma maneira que não deveria. Como disse Shakespeare: ‘Não se pode confundir a plateia, é preciso sair pela porta de trás.’ Hoje, tudo se transformou em celebridade. Não sou especial por ser atriz, é apenas minha profissão”, reflete, acrescentando em tom bem-humorado um desejo: “Queria criar um AA, Atores Anônimos, mas até agora, nenhum colega aceitou a ideia.”

