Análise das consequências da inflação e do petróleo no cenário econômico brasileiro
A jornada de hoje para os investidores brasileiros começa às 9h, momento em que o IBGE divulgará os dados da inflação, medidos pelo IPCA-15 referente ao mês de abril. Este índice, considerado uma prévia da inflação oficial, capta as variações de preços nos primeiros 15 dias do mês, auxiliando na previsão das tendências inflacionárias para o período.
Com a recente alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo aumento do petróleo em decorrência da guerra entre os EUA e o Irã, cresce a preocupação em relação ao impacto sobre a inflação geral do país. Especialistas do mercado estimam que o IPCA-15 pode ter registrado uma alta de 1% em relação a março, totalizando um aumento de 4,48% na comparação anual.
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Essa aceleração nos preços pode restringir a capacidade do Banco Central em reduzir a Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano, uma das razões principais para o elevado endividamento das famílias brasileiras. As expectativas apontam para uma possível redução da taxa básica em 0,25 ponto percentual, com a decisão prevista para ser divulgada amanhã, após o fechamento do mercado. Contudo, o grande questionamento dos investidores gira em torno da duração da tendência de queda nas taxas de juros, especialmente em um contexto de aumento nos preços dos combustíveis.
Além disso, não há indícios de que a pressão provocada pela alta do petróleo diminuirá em breve. O preço do barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 110 nesta manhã, evidenciando a falta de consenso sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo.
Em meio a esse cenário de incertezas, a bolsa brasileira está passando por um movimento de realização de lucros. Após uma sequência de 12 pregões acima dos 190 mil pontos, alcançando a máxima de 198.657 pontos, o índice Ibovespa apresentou uma queda, encerrando a segunda-feira em 189 mil pontos. A tendência observada nesta manhã indica mais um dia negativo, com o EWZ, fundo que reflete as ações brasileiras em Nova York, também apresentando recuo. Na agenda econômica nacional, destaca-se a divulgação da arrecadação federal e o balanço financeiro da Vale, que será apresentado após o fechamento do mercado.
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Nos Estados Unidos, os futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq também estão em baixa, após atingirem recordes na véspera. Os investidores por lá estão tentando equilibrar suas expectativas entre os lucros recordes que estão por vir das grandes empresas de tecnologia, que anunciarão seus resultados na quarta-feira, e o receio em relação ao aumento nos preços do petróleo.
Agenda do dia:
- 7h: AtlasIntel divulga pesquisa eleitoral
- 9h: IBGE publica o IPCA-15 de abril
- 11h: Receita Federal divulga a arrecadação de março
- 14h30: Christine Lagarde (BCE) participa de evento na Alemanha
- 16h: Lula promulga acordo Mercosul-UE
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