Rivalidades no Cenário Político Gaúcho
O deputado estadual Fábio Zucco, do PL, lançou oficialmente sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, durante um evento que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o discurso, Zucco, além de criticar a esquerda, dirigiu suas críticas também às articulações do governador Eduardo Leite. Para ele, a chapa liderada por Gabriel de Souza, do PSD, representa um ‘centrão oportunista’ e se posiciona de acordo com interesses pessoais, alternando entre o alinhamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de acordo com seu ‘projeto de conveniência’.
Eduardo Leite, que até então era considerado um forte candidato, optou por permanecer no cargo até o término de seu mandato, após não ser escolhido como o candidato do PSD para a presidência, uma vaga que ficou com Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. A escolha de Caiado, segundo analistas, diminuiu as chances de Souza, que agora corre contra o tempo para ampliar sua visibilidade e consolidar alianças em um cenário que se mostra competitivo.
Flávio Bolsonaro e a Retórica de Resgate
Durante a fala, Flávio Bolsonaro reforçou seu compromisso de ‘resgatar o Brasil’, lema que incorpora em sua pré-campanha. O senador também fez questão de defender aqueles que foram condenados por participação nos atos de 8 de janeiro, prometendo que, em sua eventual posse, subiria a rampa do Planalto ao lado de seu pai, preso por tentativa de golpe de Estado. ‘Vamos mostrar qual o caminho e as alternativas que o Brasil possui, o oposto do que temos atualmente. O PT ficará irrelevante’, disse.
No Rio Grande do Sul, pela primeira vez, o PT não indicará um candidato próprio ao governo. A direção nacional do partido optou por apoiar a candidatura de Juliana Brizola, do PDT, em detrimento de Edegar Pretto, que já havia sido escolhido pelo núcleo estadual em novembro do ano passado, com respaldo de partidos como PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB. Essa decisão gerou um racha considerável dentro do partido.
Divisões Internas e Implicações para a Campanha
O racha se acirrou na semana passada, com lideranças tradicionais do PT gaúcho, como os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, expressando apoio público a Edegar e se opondo à intervenção nacional. O PSOL, por sua vez, ameaçou lançar uma candidatura independente, alegando que Juliana Brizola não se envolveu em discussões de projetos de governo com a base aliada.
Com uma melhor performance nas pesquisas, Juliana Brizola conseguiu superar Edegar, que anunciou sua retirada da pré-candidatura na última quinta-feira. O PT agora indicou Edegar para liderar um ‘projeto unitário’ em torno da candidatura de Brizola, que contará com a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) em sua chapa ao Senado.
Respostas da Liderança do PT e Expectativas Futuras
Em uma entrevista recente ao GLOBO, Tarso Genro criticou a hesitação do presidente Lula em determinar os rumos do partido no estado. Lula, em um encontro com Juliana no Palácio do Planalto em fevereiro, sinalizou que um palanque duplo no Rio Grande do Sul poderia prejudicar sua campanha à reeleição, refletindo a tensão interna.
Entre os governadores do PSD que almejam uma presidência, Leite foi o único que teve que levar sua reeleição ao segundo turno. Enquanto outros governadores, como Ratinho Júnior no Paraná e Caiado em Goiás, venceram com margens consideráveis, Leite enfrentou uma disputa acirrada, onde acabou perdendo o primeiro turno para Onyx Lorenzoni, do PL, mas garantiu a vitória no segundo turno com 57,1% dos votos.
Três anos após essa eleição, uma pesquisa Genial/Quaest, realizada em meados de 2025, revelou que 54% dos eleitores gaúchos acreditavam que Eduardo Leite não merecia eleger seu sucessor. Um levantamento de agosto reforçou esse sentimento, mostrando que com apenas 5% das intenções de voto, Gabriel de Souza está atrás de Zucco (20%) e Juliana Brizola (21%), além de estar tecnicamente empatado com Edegar Pretto (11%).

