Iniciativa Transformadora em Saúde
Mais de 14 mil pesquisadores de 36 países estão reunidos neste final de semana para o HSIL Hackathon 2026, uma proposta da Universidade Harvard, cujo tema é “Construindo sistemas de Saúde de Alto Valor: aproveitando a Inteligência Artificial”. O Brasil participa com três sedes, sendo Natal a única na Região Norte/Nordeste. O evento no Rio Grande do Norte está sendo coordenado pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN, que atua como hub da Escola de Saúde de Harvard. Junto ao LAIS, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) também integra essa rede de colaboração.
Em Natal, o hackathon conta com a participação de equipes formadas por instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU), a Secretaria de Saúde dos Estados de Minas Gerais (SES/MG), Mato Grosso do Sul (SES/MT), e do Rio Grande do Norte (SESAP/RN), além de a Controladoria Geral da União (CGU) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Também estão participando representantes da Universidade Federal da Paraíba, do Hospital das Clínicas de Pernambuco, da Maternidade Januário Cicco e da Empresa ELLA Inovação e Tecnologia, além de diversos estudantes universitários nas áreas de tecnologia.
Desenvolvendo Soluções para o SUS
Os participantes foram organizados em 11 equipes e têm a missão de desenvolver soluções para os problemas reais enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. A inteligência artificial será a ferramenta principal nessa busca por melhorias na gestão, acesso e controle do sistema. Ricardo Valentim, pesquisador do LAIS, destacou que a IA deve ser vista como uma ferramenta e não como um fim em si mesma. “É fundamental que o cidadão permaneça no centro da inovação em saúde, e não a IA”, enfatizou.
Valentim também ressaltou a importância do hackathon como uma oportunidade de encontrar soluções tangíveis para as dificuldades enfrentadas pela população, como as longas filas de espera para procedimentos complexos dentro do SUS. A relevância de iniciativas como essa é demonstrada pelo sucesso do AVASUS, uma plataforma de educação em saúde que surgiu em um hackathon anterior e atualmente é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas das plataformas da OMS e OPAS.
Palestras e Insights sobre Saúde Digital
Durante o evento, os participantes assistiram a “talks” — palestras curtas que apresentaram experiências bem-sucedidas em saúde digital. Uma das apresentações destacou o case do Regula RN, uma plataforma desenvolvida pelo LAIS durante a pandemia para regular a ocupação de leitos nos hospitais do estado. Felipe Ferré, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), também participou, discutindo a saúde digital no Brasil.
Uma equipe de estudantes da Universidade Federal de Sergipe, que viajou 16 horas para participar do evento, está desenvolvendo uma solução para um dos grandes desafios do SUS: as filas de espera. Débora Gonçalves, Samuel Pinho, Allex Lemos, Gabriel Lima e Leonardo Silva, todos do curso de Ciências da Computação, junto com Yasmim Brito, estudante de Relações Internacionais, estão criando uma ferramenta de explicabilidade para médicos. “Nosso objetivo é auxiliar os profissionais no diagnóstico, melhorando a qualidade e agilidade do atendimento sem substituir o médico”, explicou Yasmin Brito.
O grupo expressou a ambição de retribuir o investimento feito em sua educação e está determinado a fazer a diferença na sociedade. Gabriel Lima afirmou: “Sentimos uma responsabilidade de contribuir com a comunidade, dada a formação que recebemos em uma universidade pública.”
Futuro da Saúde no Brasil
Entre as soluções que serão apresentadas, apenas uma será selecionada por um júri local e outro internacional para avançar em fases de apresentação até uma eventual mostra para investidores na Escola de Saúde de Harvard.
Um dos destaques do evento foi a palestra de Carlos Alberto Oliveira, diretor do Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologia da UERJ. Ele falou sobre os avanços da saúde digital na China, onde a tecnologia tem se mostrado eficaz para gerenciar o atendimento e acompanhamento de pacientes. Oliveira mencionou os “hospitais inteligentes” que monitoram pacientes mesmo após a alta, utilizando dispositivos como relógios inteligentes para alertar sobre a necessidade de ajustes nos tratamentos.
“Essa transformação pode ser uma realidade no Brasil em breve, com a expectativa de que o Hospital das Clínicas de São Paulo se torne o primeiro hospital inteligente do país, fruto de uma parceria entre Brasil e China”, previu Ricardo Valentim, reforçando a importância do evento para a inovação em saúde.

