Modelo da Eleição em Foco
Nesta quarta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início à análise de duas ações relacionadas à eleição do novo governador do Rio de Janeiro. Em destaque, está a definição sobre o modelo de votação: será direta, permitindo a participação popular, ou indireta, com escolha feita pelos deputados estaduais? As discussões foram trazidas ao STF por meio de ações protocoladas pelo Partido Social Democrático (PSD).
Essa situação se agrava em meio a uma crise política no estado, que ficou sem um governador efetivo após a renúncia de Cláudio Castro, em 23 de março. Desde então, a governança está nas mãos do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A instabilidade também foi agravada pela ausência de um vice-governador, desde que Thiago Pampolha deixou o cargo em maio de 2025 para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
O cenário se complica ainda mais com a perda de mandato do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, que também não pôde assumir as funções de governança devido a uma cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e sua prisão recente.
Posição da Procuradoria-Geral da República
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou em defesa da realização de eleições diretas para a escolha do novo governador interino, que assumirá um ‘mandato-tampão’ até o final do ano. Segundo a PGR, a vacância do cargo se deu em decorrência da decisão do TSE sobre a cassação do mandato de Cláudio Castro, que ocorreu um dia antes do julgamento. Assim, o Código Eleitoral deve ser respeitado, convocando uma eleição direta devido ao afastamento ocorrer a menos de seis meses para o término do mandato.
Decisões Cruciais do STF
Os ministros do STF estão encarregados de decidir sobre o modelo da próxima eleição, que determinará quem será o responsável pelo governo do Rio até a posse do sucessor em 2027. Edson Fachin, presidente do STF, destacou que a deliberação será baseada na legalidade constitucional e na segurança jurídica, visando a estabilidade institucional.
Assim, o tribunal irá deliberar se a escolha será feita por meio de convocação popular ou se será uma eleição indireta, com a participação dos deputados estaduais. Também está em debate a validade de trechos da lei estadual que normatizam a eleição indireta, questionando aspectos como os prazos para desincompatibilização dos candidatos e a forma de votação, se aberta ou secreta.
Discussão Jurídica em Andamento
A questão sobre o modelo de eleição envolve a aplicação das normas eleitorais: se o Código Eleitoral ou a legislação estadual deve prevalecer. O Código Eleitoral determina que a eleição é direta em casos de vacância do cargo por mais de seis meses em razão de cassação. Por outro lado, quando o motivo é não-eleitoral, a legislação dos estados pode ser aplicada, permitindo que cada um defina seu processo eleitoral.
O cenário atual tem relação direta com a renúncia de Cláudio Castro, que ocorreu um dia antes do TSE concluir o julgamento que resultou na cassação do seu mandato por abuso de poder nas eleições de 2022. O PSD argumenta que essa renúncia foi uma tentativa de fraudar a aplicação do Código Eleitoral e burlá-lo, considerando-a uma manobra para evitar punições.
Expectativas para o Futuro
Enquanto a decisão não é tomada, a situação política no Rio de Janeiro continua tensa e incerta. O que se espera é que a deliberação do STF traga clareza sobre a condução do processo sucessório no estado e que, acima de tudo, reestabeleça a ordem jurídica e a confiança nas instituições eleitorais.

