Desafios e Oportunidades no Turismo de Luxo
Tomas Perez, à frente do TP Group, que engloba diversas operações como a Teresa Perez Tours, faz uma análise aprofundada do turismo de luxo no Brasil. Em uma entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, ele detalha os fatores que impulsionam o crescimento do setor, além de apontar os obstáculos que ainda dificultam o país em capturar uma fatia maior do turismo global.
Como foi o desempenho do TP Group em 2025? De acordo com Perez, o ano foi positivo. “Tivemos uma recuperação sólida, especialmente no segundo semestre, com um brasileiro cada vez mais viajante e reconhecido no mercado internacional. Redes de hotelaria globais estão de olho no Brasil, onde, em locais como Miami, o país já se destaca como um dos principais emissores de turistas”, explica.
Fatores que Fortalecem o Turismo Brasileiro
O fortalecimento do mercado brasileiro é atribuído a uma combinação de fatores. “Temos um público de alta renda que continua a consumir e uma demanda reprimida que ainda está sendo atendida desde a pandemia. Além disso, as pessoas estão priorizando experiências, especialmente viagens”, ressalta Perez.
Entretanto, o crescimento não tem sido homogêneo. O segmento de luxo, segundo ele, se destacou, mas com um consumidor mais exigente. “Esse cliente busca agilidade, personalização e uma jornada integrada entre o online e offline. Isso torna a operação mais complexa, mas, ao mesmo tempo, valoriza o serviço especializado”, acrescenta.
A Importância das Agências de Viagem
O papel das agências de viagem também evoluiu nesse cenário. “Muitos imaginavam que o agente de viagem perderia espaço, mas o que vemos é uma valorização desse profissional. O cliente percebe que precisa de uma curadoria para organizar sua experiência de viagem”, observa Perez.
Desempenho Financeiro do TP Group em 2025
O grupo movimentou cerca de R$ 1,35 bilhão em suas operações, representando um crescimento de aproximadamente 24% em relação a 2024. “O aumento veio tanto do volume quanto do ticket médio, com uma valorização de experiências mais sofisticadas”, explica o executivo.
A volatilidade do câmbio teve um impacto direto nesse crescimento. “O que realmente influencia não é apenas o nível do dólar, mas a sua volatilidade. Oscilações bruscas fazem com que o cliente hesite. Já em períodos de previsibilidade, o mercado flui melhor”, afirma.
O Potencial do Brasil como Destino Turístico
Perez destaca que, apesar de o Brasil já ter ultrapassado a marca de 10 milhões de turistas estrangeiros, ainda há um longo caminho a percorrer. “O país poderia receber muito mais turistas. O problema não é falta de atratividade, mas sim de estrutura e infraestrutura adequada”, aponta.
Entre os principais entraves, ele menciona a segurança e a logística. “Temos destinos incríveis, mas com acesso difícil e infraestrutura limitada, além de uma carência na qualificação da mão de obra, especialmente em idiomas”, diz. A percepção internacional sobre segurança, segundo ele, também pesa nas decisões dos turistas.
Investimentos em Hotelaria e Novos Projetos
O grupo está investindo na criação de hotéis boutique, que oferecem alta personalização e um toque local. “Cada projeto tem um investimento médio de R$ 17 milhões e nosso foco é proporcionar experiências únicas”, explica Perez, mencionando locais como Pantanal e Bonito como regiões com enorme potencial a ser explorado no turismo de luxo.
Expectativas para o Futuro do Turismo de Luxo
Para 2026, as expectativas são otimistas, com uma meta de crescimento entre 15% a 20%, dependendo do cenário econômico e político. Perez reconhece que o ano eleitoral pode impactar o setor, uma vez que a incerteza pode levar os clientes a postergar suas decisões de viagem.
Além disso, a Copa do Mundo pode afetar o turismo de formas variadas, dependendo da localização dos eventos. Os feriados prolongados, por sua vez, têm efeito positivo, especialmente no turismo doméstico.
Por fim, a tecnologia também está na pauta, com investimentos em inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência operacional do grupo. “O turismo de luxo deve crescer, mas o Brasil precisa superar seus gargalos para colher os frutos desse aumento de demanda”, conclui Tomas Perez.

