Conflitos Judiciais Acumulam-se na Corte Suprema
A indefinição em torno da nomeação de Jorge Messias para a 11ª vaga do Supremo Tribunal Federal (STF) tem causado uma paralisia em, pelo menos, 12 processos judiciais. A falta de um ministro no tribunal resulta em empates que podem influenciar decisões sobre questões relevantes, como a criação de um cadastro nacional de pedófilos e predadores sexuais, pautas ambientais e a confirmação de promoções de servidores públicos via concurso interno.
Essa situação não afeta apenas questões pontuais, mas também pode impactar o futuro político do governo do Rio de Janeiro, cuja decisão está marcada para o próximo dia 8 de abril. Segundo o especialista em direito eleitoral, Dyogo Crosara, a complexidade do cenário exige uma resolução rápida. Em caso de empate, a atual legislação, que rege a eleição indireta para o governo estadual, deve ser a regra.
“Isso irá, com certeza, dividir o Tribunal, como já está acontecendo. O assunto está programado para ser debatido no dia 8, e se houver um empate, a determinação será aquela aprovada pela Alerj e sancionada pelo ex-governador Cláudio Castro”, destaca Crosara.
Consequências dos Empates nas Decisões Judiciais
Outro especialista, Pedro Gasparini, em Direito Processual Civil, menciona que a ocorrência de um empate em determinados casos impede que decisões que poderiam gerar repercussão geral sejam efetivadas fora do estado do Rio de Janeiro. Isso é especialmente relevante em casos penais; por exemplo, quando a Segunda Turma do STF avaliou a continuidade da prisão de Daniel Vorcaro. Em situações de empate, o réu é favorecido – foi uma possibilidade considerada na ocasião, quando Dias Toffoli se declarou impedido, resultando em um número par de ministros na análise.
Enquanto Jorge Messias não é empossado para assumir os mais de 900 casos deixados por Luís Roberto Barroso, os profissionais do Direito sinalizam um aumento na carga de trabalho dos demais ministros, o que resulta na lentidão dos julgamentos. Pedro Gasparini explica que, em matérias cíveis com repercussão geral, existe uma tendência de os ministros optarem por não levar esses casos a discussão sem a presença de um número ímpar de integrantes, evitando assim empates. Alternativas como pedidos de vista ou a utilização do voto de Minerva do presidente do STF, que pode ter um peso decisivo em caso de empate, são consideradas, mas a espera por um novo ministro é a abordagem mais cautelosa.
“Ficar aguardando a nomeação de um novo ministro é uma estratégia para garantir segurança jurídica. O que percebo é que essa espera resulta em um atraso significativo nos julgamentos de questões de grande relevância. Embora isso possa causar uma insegurança jurídica, é importante avaliar o que é mais benéfico: ter uma decisão que prevalecerá por anos, proferida por um colegiado completo, ou por um colegiado que carece de um membro essencial, como um ministro da Suprema Corte?”, pondera Gasparini.
Expectativa em Relação à Nomeação de Jorge Messias
Apesar do presidente Lula ter encaminhado, na última quarta-feira (1º), ao Congresso Nacional, a indicação de Jorge Messias para o STF, a data da sabatina ainda é incerta. A aprovação do nome depende da liberação do documento pelo presidente do Senado para a Comissão de Constituição e Justiça. Em seguida, cabe ao presidente da comissão agendar a sessão de sabatina e decidir sobre a aprovação ou não do indicado. Após esses trâmites, o STF ainda precisará agendar a data da posse.
Enquanto isso, a situação no Supremo Tribunal continua tensa, com a análise de casos que podem afetar o cenário político e jurídico do país. A expectativa é de que a definição sobre a nomeação de Messias ocorra em breve, trazendo, assim, maior clareza sobre a condução dos processos paralisados.

