Favelas como centros de cultura e oportunidades
No dia 23 de março de 2026, o turismo de vivências e a força das comunidades ganhou destaque no Rio de Janeiro com o lançamento do episódio “Turismo Transforma: Favelas do Rio de Janeiro”. Este minidocumentário, produzido pela Embratur, destaca o papel fundamental dos moradores na construção de uma narrativa que transforma favelas em espaços de cultura, criatividade e oportunidades.
O projeto marca uma nova forma de olhar para as favelas, que deixam de ser vistas com preconceito e passam a ser reconhecidas como territórios ricos em histórias e experiências. A série inclui comunidades como Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira e Chapéu Mangueira, apresentando um turismo que se fundamenta no pertencimento e na autonomia local.
Produção genuína e empoderamento local
Dividido em três episódios, o documentário é um retrato autêntico dos territórios, já que sua produção foi inteiramente realizada por equipes compostas por moradores de cada região. Essa abordagem tem como objetivo apresentar uma narrativa verdadeira, alinhada ao conceito de lugar de fala e distante de estigmas que costumam marcar a relação do público com esses locais.
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, ressalta que a iniciativa está em sintonia com a estratégia da agência de promover o turismo de base comunitária como um instrumento de inclusão e desenvolvimento. “Sou do Rio de Janeiro e sempre acreditei nessa visão do meu estado, que é cheio de vida e oportunidades. O turismo nas favelas deve ser uma experiência de imersão, conduzida por quem vive ali, para gerar um impacto real na economia local e mudar a percepção do Brasil no exterior”, declarou.
Quebrando estigmas e criando novas experiências
Gilson “Fumaça”, líder comunitário do Santa Marta, enfatiza a importância de romper com estigmas históricos que cercam as favelas. “Estamos desafiando a ideia de que visitar uma favela é arriscado. Nosso objetivo é dar visibilidade a quem trabalha com profissionalismo e compromisso para transformar socialmente essas comunidades”, afirmou.
Patrícia Regina da Silva Ignacio, integrante da Cooperativa de Reflorestamento da Babilônia e Chapéu Mangueira (CoopBabilônia), destaca o crescente interesse de turistas internacionais por experiências autênticas. Segundo ela, “os visitantes querem ouvir as histórias contadas por quem realmente vive na favela. Essa conexão faz toda a diferença para mostrar o potencial e a realidade desses lugares”.
Promoção internacional e desenvolvimento do turismo comunitário
O lançamento do minidocumentário também é parte de um movimento que começou a ser solidificado fora do Brasil. No início de fevereiro, durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a Embratur apresentou o episódio internacionalmente e incluiu, pela primeira vez, a participação de empreendedores de favelas como coexpositores no estande brasileiro. Essa iniciativa permitiu que líderes comunitários apresentassem seus produtos ao mercado global, ampliando as oportunidades e contribuindo para a reconfiguração da imagem das favelas.
Novas iniciativas para o fortalecimento do turismo
Além da promoção internacional, a Embratur está desenvolvendo uma série de iniciativas ao longo do ano, como o programa Made in Brasil, que visa identificar e valorizar as potencialidades e desafios de cada comunidade. Em colaboração com o CIEDS, a proposta busca fortalecer a identidade local e fomentar a produção de narrativas autênticas, além de estratégias de branding que visam desmistificar estereótipos e aumentar a visibilidade desses destinos.
Com ações programadas no Rio de Janeiro, Salvador e Recife, o Made in Brasil incluirá formações, articulação de redes e incentivo ao empreendedorismo local. Dentre as ações, estão previstas capacitações em áreas como economia criativa e turismo de base comunitária, além de maratonas de inovação e incubação de negócios.
Qualificação e sustentabilidade no turismo
O projeto também promove guias turísticos digitais elaborados pelos próprios moradores, visando fortalecer a autonomia e gerar oportunidades de renda. Outra iniciativa importante, o Rocinha Mundo Afora, conecta a comunidade a grandes operadoras internacionais, aumentando a geração de renda local através do turismo.
O Laboratório de Encantadores, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), já capacitou centenas de guias e condutores de turismo, preparando-os para o mercado internacional e garantindo a qualidade das experiências turísticas oferecidas.
Um cenário promissor para o turismo carioca
O turismo internacional no Rio de Janeiro está em ascensão. Em janeiro de 2026, o estado recebeu mais de 274 mil turistas internacionais, representando um aumento de 17% em relação ao ano anterior. Em 2025, o número de visitantes ultrapassou 2,19 milhões, refletindo um crescimento de 43,7% em comparação a 2024. Ao destacar as favelas como destinos culturais, a Embratur diversifica a oferta turística, assegurando que os recursos deixados pelos visitantes beneficiem diretamente as comunidades locais.

