Movimentações Intensificadas no Palácio Guanabara
As últimas horas de Cláudio Castro (PL) como governador do Rio de Janeiro foram marcadas por intensas negociações e tentativas de garantir um desfecho favorável em processos que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Informações obtidas por interlocutores do agora ex-governador indicam que, ao longo desta segunda-feira, Castro ponderou a possibilidade de cancelar a sua renúncia. Essa decisão estaria relacionada a uma manobra para postergar o julgamento do caso Ceperj, que tem seu desfecho previsto para esta terça-feira e que motivou a escolha da data de sua renúncia.
Além de avaliar sua saída, Castro promoveu mudanças de última hora no governo, buscando reverter uma liminar do ministro Luiz Fux, do STF, que afetou as regras para a escolha de um “governador-tampão”, responsável por sua substituição até o final de 2026. O governador decidiu exonerar, na terça-feira, o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), preparando o terreno para sua possível candidatura ao cargo interino.
Expectativa e Tensão no Julgamento do TSE
O evento de encerramento do mandato de Castro foi amplamente divulgado por ele durante o fim de semana, com convites enviados a aliados. Inicialmente agendado para as 16h30, o ato começou com mais de duas horas de atraso, em decorrência das manobras do ex-governador para tentar ganhar tempo no TSE. Segundo pessoas próximas, Castro esperava alguma indicação de que um novo pedido de vistas ao processo poderia ser feito, uma expectativa frustrada diante da determinação da Corte.
O caso que envolve Castro, que começou a ser julgado em novembro do ano passado, indica a possibilidade de condenação por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. A relatora, ministra Isabel Gallotti, já havia proferido voto pela cassação do mandato e pela inelegibilidade do governador por oito anos. A decisão foi seguida por outros ministros, mas Castro persistiu em buscar diferentes alternativas para evitar a condenação.
Aposta na Eleição-Tampão e Movimentações Estratégicas
Enquanto as sondagens no TSE continuavam, Castro mobilizou sua equipe para preparar aliados para a eleição-tampão, que irá decidir seu sucessor em aproximadamente 30 dias. Durante a noite de segunda-feira, ainda no cargo, ele publicou um decreto no Diário Oficial transferindo poderes do novo governador interino, desembargador Ricardo Couto, para o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. A resignação de Miccione visa garantir que ele cumpra o prazo de desincompatibilização exigido para poder concorrer ao cargo no pleito.
A recente decisão de Fux, que exige uma desincompatibilização de seis meses antes da eleição, trouxe novos desafios à candidatura de Miccione, que busca ser o vice na chapa do ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL). Apesar de sua situação complicada, aliados acreditam que existe a possibilidade de que o STF reverta decisões, especialmente sobre o prazo de desincompatibilização.
Desdobramentos e Implicações Políticas
O governo do Rio e a Alerj estão em constante comunicação com o STF para questionar a nova interpretação de Fux e suas implicações. Enquanto isso, Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Alerj, busca impulsionar um candidato próprio, Chico Machado (Solidariedade), para a eleição-tampão. Com a possibilidade de a exigência de seis meses ser revista, as articulações políticas se intensificam nas diferentes bases, uma vez que a candidatura de Machado pode perder força se outras concorrências se tornarem viáveis.
A complexidade do cenário político no Rio de Janeiro revela um jogo de interesses e estratégias que afetam tanto o futuro imediato de Castro quanto as dinâmicas eleitorais em curso. O resultado das votações no TSE e as movimentações no âmbito da Assembleia Legislativa prometem moldar os rumos da política fluminense nos próximos meses, em um cenário repleto de incertezas que exige cautela e perspicácia por parte dos envolvidos.

