Mudanças na Política Carioca
A recente decisão do ministro Luiz Fux, que considerou os questionamentos do PSD sobre a eleição indireta no Rio, gerou um verdadeiro efeito dominó nos movimentos políticos do estado. Com imposições legais a serem seguidas, muitos dos nomes previamente considerados para a disputa não atendem aos requisitos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa reviravolta legal trouxe uma nova realidade para os pré-candidatos, especialmente para o prefeito Eduardo Paes, que busca entender como montar sua estratégia ante um cenário em que o PL de Flávio Bolsonaro precisa recalcular suas ações.
Com a exigência de que candidatos devem estar fora de cargos executivos por pelo menos seis meses, a situação do deputado estadual licenciado Douglas Ruas (PL), que acumula funções como secretário de Cidades, se torna desafiadora. O pré-candidato idealizado pelo PL, que visava se lançar como governador na eleição indireta, se vê sem opções viáveis, o que pode impactar na sua visibilidade antes do embate com Paes em outubro.
Otimismo no PSD e Nomes em Destaque
No núcleo do PSD, a expectativa parece ser de que a decisão de Fux permaneça intacta no plenário, transformando a votação indireta em um embate interno entre os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O prefeito, por sua vez, já começou a articular possíveis nomes para a disputa. Um dos mais cotados, como revelou o colunista Bernardo Mello Franco, é Chico Machado (Solidariedade), que se comprometeria a não se candidatar novamente.
Machado, que já foi aliado do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), pode enfrentar um dilema, já que Paes havia declarado previamente que qualquer voto em candidatos ligados a Bacellar resultaria em expulsão do partido. Essa situação gera uma tensão que pode influenciar a estratégia do prefeito.
Outros possíveis nomes que estão ganhando força incluem Rosenverg Reis (MDB) e André Corrêa, do PP, que está cogitando uma migração para o PSD. Corrêa, em uma recente declaração, expressou confiança na escolha de um deputado para a eleição indireta, sugerindo que o presidente Guilherme Delaroli seria uma escolha natural, considerando seu papel institucional e as circunstâncias atuais.
Desafios para Delaroli e Questões de Nepotismo
Desde que Bacellar foi afastado por decisões judiciais, Delaroli se tornou um nome forte dentro do PL. Contudo, sua ascensão ao governo, mesmo que temporária, apresenta desafios significativos. Se ele assumir o cargo, sua única opção nas eleições de outubro seria a reeleição, enquanto Douglas Ruas já está definido como o candidato do PL no pleito geral.
Um complicador adicional é que, devido ao fato de seu irmão ser prefeito de Itaboraí, Delaroli pode enfrentar restrições no futuro, como questões relacionadas ao nepotismo, limitando suas opções de candidatura em 2028.
Flávio Bolsonaro, durante um evento do Grupo Lide no Rio, mencionou a necessidade de um novo entendimento sobre a legislação, que pode forçar uma nova reflexão sobre os cenários eleitorais para o estado. Esta dinâmica exige que os parlamentares se reúnam novamente para discutir as estratégias a serem adotadas.
Próximos Passos: As Eleições e as Implicações Legais
Adicionando à complexidade do cenário político, o Rio pode ter que realizar uma nova eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, caso Bacellar seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação ao caso Ceperj. Atualmente, ele se encontra afastado devido a investigações sobre sua ligação com o Comando Vermelho, e sua condição de interino o exclui da linha sucessória.
Se Ruas conseguir reunir apoio suficiente para se tornar presidente da Casa, ele poderia assumir o governo imediatamente, ao invés de passar essa responsabilidade ao presidente do Tribunal de Justiça. Caso isso ocorra, Ruas teria uma janela de tempo como governador antes de enfrentar Eduardo Paes nas urnas em outubro.
Enquanto isso, outro elemento de incerteza paira sobre a figura de Cláudio Castro, que, em meio ao aumento da pressão legal e à proximidade do prazo para renunciar e se candidatar ao Senado, está avaliando as melhores datas para sua saída do cargo, com rumores que sugerem uma renúncia iminente.
Movimentos em Torno da Secretaria de Polícia Civil
Refletindo os constantes movimentos na política, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, anunciou sua saída do governo para concorrer a uma vaga de deputado federal. Curi, que antes era visto como um forte candidato a governador por Flávio, agora se posiciona como uma peça-chave na eleição do Senado, especialmente se Castro se encontrar judicialmente impedido de continuar no cargo.

