Queda nas Matrículas e Mudanças Demográficas
O último Censo Escolar revelou que a rede de ensino de Ribeirão Preto registrou uma redução de 2,5% nas matrículas, passando de 140.474 para 137 mil alunos. Essa queda se observa nas escolas municipais, estaduais e particulares, e acompanha uma transformação demográfica na cidade. Segundo dados do IBGE, a taxa de natalidade em Ribeirão Preto caiu 13% nos últimos cinco anos, com 10.438 nascimentos em 2019 em comparação a 9.062 em 2024.
Essa diminuição de quase 500 nascimentos em um único ano reflete diretamente o número de alunos que chegam às salas de aula. A situação é preocupante e suscita discussões sobre o futuro da educação na cidade.
Perfil das Famílias em Transformação
Na Escola Estadual Guimarães Júnior, localizada no Centro de Ribeirão Preto, a inspetora Edna Gerolin, com 41 anos de experiência na área da educação, observou uma mudança no perfil dos alunos. Para ela, a redução das matrículas é um reflexo das novas prioridades familiares.
“Os pais estão mais preocupados em proporcionar saúde e educação aos seus filhos, e, por consequência, têm optado por ter menos filhos devido aos custos envolvidos”, ressalta Edna, refletindo sobre o dia a dia nas salas de aula.
Essa mudança na dinâmica familiar é confirmada por Ana Carolina dos Santos, de 17 anos, que é filha única. Ela explica que a decisão de seus pais de não aumentar a família foi uma combinação de fatores. “Minha mãe não era daqui, ela é de Maceió, e se conheceu com meu pai aqui. Eu não fui muito planejada. Depois, com o tempo, eles falaram que não tinham mais paciência para ter outro filho”, conta Ana Carolina.
Lucas Trindade, também com 17 anos, compartilha uma experiência similar, embora tenha desejado ter um irmão. “Eu sempre quis, tentei convencer minha mãe, mas nunca consegui. Ela até pensou em ter mais filhos, mas acabou desisitindo da ideia”, relata Lucas.
Por Que o Número de Alunos Está Caindo?
Além da queda na natalidade, especialistas apontam que o sistema de ensino tem se tornado mais eficiente na correção do fluxo escolar. Antônio Esteca, especialista em educação, menciona que há uma redução na distorção idade-série, que era causada por altas taxas de reprovação.
“O Ministério da Educação destacou que o sistema está se tornando mais eficiente, com os alunos reprovando menos e concluindo o ensino médio de forma mais rápida. Isso também resulta em uma diminuição na população que frequenta a educação básica”, explica Esteca.
No entanto, ele alerta para a evasão escolar, especialmente no Ensino Médio, onde o Brasil viu uma queda de cerca de 1,1 milhão de matrículas em apenas um ano. “Quando analisamos o Censo, percebemos que o numero de alunos que transitou da segunda para a terceira série do médio foi bem menor, indicando uma evasão significativa”, acrescenta o especialista.
A Exceção das Salas Lotadas: O Fator Trabalho
Apesar da queda geral nas matrículas, a Escola Guimarães Júnior apresenta um quadro diferente, com salas superlotadas. A diretora Dulce Pereira afirma que o modelo de ensino regular e de meio período é o que mantém o interesse dos alunos.
“A demanda por esse modelo específico garante salas cheias, com cerca de 40 alunos cada. Esse formato atende os jovens que precisam trabalhar e não podem frequentar as aulas em período integral”, explica Dulce.
O Que Diz a Secretaria de Educação
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que mantém programas focados na permanência estudantil e contesta a ideia de que a redução das matrículas esteja diretamente ligada à evasão. A pasta realiza busca ativa a partir de três faltas consecutivas para evitar o abandono escolar.
Essa situação em Ribeirão Preto é um indicativo das mudanças que estão moldando a educação básica no Brasil e levanta questionamentos sobre como as políticas públicas podem se adaptar a essa nova realidade.

