Transformação Educacional Pós-Ditadura
Com o fim da Ditadura Militar em 1984, o Brasil passou por um período de renovação, especialmente no campo da educação. A Secretaria de Obras Públicas (SOP) deu início em 1987 ao projeto Nova Escola, que visava democratizar o ensino. Os profissionais da secretaria, orientados pelas diretrizes pedagógicas da Secretaria da Educação (Seduc), buscavam desenvolver um modelo arquitetônico que promovesse um ambiente acolhedor e integrador para alunos, professores e a comunidade em geral.
No contexto da arquitetura moderna, as escolas construídas pelo Estado entre as décadas de 1950 e 1970 priorizavam a funcionalidade. O arquiteto e urbanista Odir Baccarin, que participou do desenvolvimento do projeto, destaca a importância desta mudança: “Houve um antes e um depois da Nova Escola. O projeto desafiou os paradigmas de construção e as típicas estruturas de escolas públicas, fazendo com que as novas edificações lembrassem instituições privadas. Era um reflexo da crença de que o povo também merece qualidade”.
Ações Regionalizadas e Estruturas Inovadoras
As escolas dessa época se destacavam pelo uso de tijolos à vista e por um amplo espaço de circulação interna, permitindo não apenas a integração entre os alunos, mas também a utilização desses espaços para atividades em dias de chuva. Com apoio dos escritórios regionais da SOP, foram identificadas as particularidades de cada região do Estado, garantindo que o projeto atendesse a todas as necessidades locais. Assim, mesmo em lugares onde uma solução específica não era necessária, essa opção permanecia no modelo geral da edificação.
Além disso, a escolha dos materiais de construção foi pensada para que estivessem disponíveis em todas as regiões, mantendo um padrão de qualidade. Baccarin recorda: “Foi um projeto concebido para o Rio Grande do Sul, refletindo a nossa identidade e modo de viver”.
Construção Modular: Uma Solução Eficiente
A modularidade foi uma das características marcantes da Nova Escola. Para garantir baixo custo de implementação e manutenção, foram projetados blocos replicáveis que poderiam ser utilizados para diferentes áreas, como bibliotecas, salas de aula, laboratórios ou cozinhas. Dessa forma, a instalação dos módulos era flexível, adaptando-se às necessidades específicas de cada escola.
Os módulos padronizados não apenas aceleraram o processo de design e construção como também permitiram um controle mais eficaz sobre os investimentos nas obras. Ao todo, cerca de 350 unidades foram construídas sob esse modelo, incluindo instituições como o Colégio Estadual (CE) Professora Edna May Cardoso, em Santa Maria, e a Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEF) João Carlini, em Ajuricaba.
Uma Nova Geração de Edificações Escolares
As novas construções substituíram antigas estruturas, muitas delas em estado precário, como as brizoletas de madeira. Essas novas edificações não apenas atendiam à demanda crescente de alunos, mas também se adequavam às necessidades contemporâneas das comunidades. A modularidade se mostrou uma solução vantajosa, permitindo expansões futuras caso necessário.
Durante o mesmo período, um modelo simplificado da Nova Escola foi criado especificamente para comunidades rurais, consistindo em edificações menores e de um único pavimento. Aproximadamente 40 dessas unidades foram implementadas, atendendo às demandas dessas regiões.
Centro Integrado: Um Novo Conceito em Educação
Em 1991, inspirados por um modelo semelhante desenvolvido no governo do Rio de Janeiro, surgiram os Centros Integrados de Escola Pública (Cieps), idealizados pelo arquiteto Jorge Debiagi. Essas escolas de turno integral buscavam concentrar em um só local iniciativas sociais voltadas a bairros carentes, unindo educação, saúde e cultura para democratizar o ensino.
Com o tempo, o nome do projeto foi alterado para Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic). Esta mudança não se limitou apenas à nomenclatura, mas refletiu uma diminuição na área das escolas e na quantidade planejada para construção, embora o programa original tenha sido mantido. As novas edificações eram pré-fabricadas e utilizavam argamassa armada, facilitando a produção industrial.
Investimentos na Educação Atual
Recentemente, o governo do Estado, sob a liderança de Eduardo Leite, destinou mais de meio bilhão de reais para a restauração de escolas históricas em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Vale ressaltar que mais de 53% das escolas estaduais iniciarão 2026 com salas de aula climatizadas, um avanço significativo no que se refere ao conforto e à qualidade do ambiente escolar.
Desde 2019, o investimento médio por obra saltou de R$ 285 mil para R$ 1,2 milhão, um reflexo do comprometimento do governo com a melhoria das condições das instituições de ensino. Hoje, estão em andamento obras em 263 escolas estaduais, totalizando R$ 401,6 milhões, além de manutenções realizadas em 179 escolas, somando R$ 102,1 milhões. Desde o início da atual gestão, foram destinados R$ 712 milhões para obras escolares concluídas, em execução, ou a serem iniciadas. Com mais de 500 obras concluídas desde 2023, o governo reafirma seu compromisso com a educação no Rio Grande do Sul.

