Iniciativas Educacionais Fortalecem a Literatura Indígena
O objetivo de proporcionar aos estudantes um contato rico e significativo com a literatura indígena e, ao mesmo tempo, ampliar a compreensão sobre as culturas dos povos originários, é o que move duas importantes iniciativas educacionais na rede municipal do Rio de Janeiro. Os projetos “Lá Vem História” e “Formação Antirracista”, desenvolvidos pela organização Parceiros da Educação Rio, estão de volta às escolas em 2024 com a temática “O Futuro é Agora”.
A nova fase teve início na última quinta-feira (12) na Escola Municipal Barão de Itacurussá, situada no bairro da Tijuca. Ao longo deste ano letivo, espera-se que mais de cinco mil alunos de 28 escolas municipais participem dessas enriquecedoras ações educativas.
Com três anos de atuação, o projeto “Lá Vem História” tem como foco a promoção de experiências culturais que unem literatura e expressões artísticas, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar. Um dos destaques dessa iniciativa é o reforço do acervo das bibliotecas escolares, com a doação de livros infantis escritos por autores indígenas de renome, entre eles Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Eliane Potiguara. A expectativa é distribuir cerca de 600 exemplares até o final de 2026.
Além do incentivo à leitura, o programa também oferece oficinas de artes visuais, teatro, música e dança, todas inspiradas em pensamentos contemporâneos de figuras importantes da literatura indígena, como Ailton Krenak e Antonio Bispo dos Santos. Essas atividades são pensadas para proporcionar uma educação mais inclusiva e diversificada.
Lêda Fonseca, idealizadora e coordenadora do projeto, enfatiza a importância da literatura infantil no processo educativo, ressaltando que ela estimula a imaginação e a curiosidade das crianças. De acordo com ela, as histórias apresentadas aos alunos possibilitam que conheçam novas perspectivas de uma maneira natural, ampliando seu interesse pelo conhecimento e pela diversidade cultural.
“Apresentar obras de autores indígenas às novas gerações também é uma forma de fortalecer valores como respeito à natureza, diálogo e cuidado coletivo”, afirma Lêda. Ela explica que, nas culturas originárias, a arte, a vida cotidiana e a relação com o meio ambiente estão interligadas, o que torna as atividades artísticas um método mais abrangente e dinâmico de aprendizado.
Este ano também sinaliza a celebração de dois anos de parceria entre a ONG e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Juntas, essas instituições têm formado mediadores de leitura que atuam nas escolas públicas envolvidas. Atualmente, 22 bolsistas recebem um auxílio mensal de R$ 1 mil para conduzir atividades literárias com alunos da educação infantil até o quinto ano, realizando visitas às escolas duas vezes por semana.

