Irmã de Vítima Comemora Justiça Após Sentença de 58 Anos
Na madrugada desta quinta-feira (12), o policial militar Leandro Henrique Pereira foi condenado a 58 anos e quatro meses de prisão pelo Tribunal do Júri. Ele foi julgado por dois homicídios duplamente qualificados e uma tentativa de homicídio também qualificada. A sentença, que poderá ser alvo de recurso, traz um novo capítulo para a trágica história que se desenrolou durante um show no Parque Unileste, quando tiros disparados resultaram na morte de Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos. Além das duas vítimas fatais, outras três pessoas, com idades entre 20 e 27 anos, também ficaram feridas no incidente.
Camila, irmã de Leonardo, compartilhou seu desabafo em relação à decisão judicial. “Finalmente alcançamos a dignidade que tanto buscávamos. O nome do meu irmão, Leonardo Victor Cardoso, sai deste processo honrado e respeitado”, declarou.
Embora a condenação tenha sido vista como um passo importante, Camila ressaltou que não se trata de um momento de celebração. “Para nossa família, a sentença não é motivo de felicidade, mas sim de tranquilidade, por saber que a verdade foi reconhecida”, concluiu.
Defesa do PM Promete Recorrer da Sentença
O advogado de defesa do policial, Renato Soares, afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que pretende recorrer da decisão. Antes do julgamento, a defesa alegou que Leandro agiu em legítima defesa. “Que hoje se faça justiça. Vamos comprovar aos senhores jurados que Leandro agiu em legítima defesa e que os disparos que atingiram as outras vítimas não são provenientes dele”, comentou Soares.
O julgamento do PM, que teve uma duração impressionante de cerca de 20 horas, começou na quarta-feira (11) no Fórum de Piracicaba, após sete adiamentos anteriores. No decorrer do dia, testemunhas foram ouvidas e depoimentos, incluindo o do réu, foram realizados. O processo, que envolveu intenso debate entre a acusação e a defesa, culminou na divulgação da sentença no final do dia.
A acusação ponderou que todos os crimes foram cometidos com dolo eventual, ou seja, o réu assumiu o risco de causar mortes, mesmo não tendo a intenção direta. As qualificadoras dos crimes foram o perigo comum e o recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.
Desentendimento Que Resultou em Tragédia
Segundo informações da denúncia do Ministério Público, os disparos foram desencadeados após Leonardo, uma das vítimas, tentar intervir em uma briga entre o policial, um amigo e uma terceira pessoa. A Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) concluiu que a origem dos disparos estava relacionada a um desentendimento que ocorreu durante o show.
Após a conclusão das investigações, a polícia fez um pedido de prisão preventiva para o policial militar que disparou. Vale lembrar que, por ser integrante das forças de segurança pública, o acusado possui porte de arma em qualquer lugar do Brasil.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o momento do tiroteio, com a confusão e a correria que se seguiu ao disparo dos tiros. Um vídeo em particular destaca os artistas no palco cantando, quando, subitamente, o barulho dos tiros interrompe a apresentação. A gravação captura o desespero do público, com uma pessoa no local gritando: “É tiro, é tiro!”, enquanto a situação se tornava caótica.

