Avanços na Luta contra a Hanseníase
O Brasil tem mostrado progressos significativos na luta contra a hanseníase, especialmente entre a população jovem. Dados recentes indicam que 80,6% dos municípios brasileiros não registraram novos casos da doença em menores de 15 anos. Esse número representa um aumento considerável em relação a 2019, quando apenas 73,1% dos municípios estavam livres de novos registros. O total de locais sem casos subiu de 4.296 para cerca de 4.400, refletindo o esforço conjunto do Ministério da Saúde e dos governos estaduais e municipais. Esse avanço é atribuído à intensificação das ações de vigilância, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, além dos mais de R$ 21,3 milhões investidos em pesquisa e projetos sobre a hanseníase nos últimos anos.
Nessa quinta-feira, 12 de outubro, as informações foram divulgadas durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase, realizada no Rio de Janeiro, que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil com o objetivo de discutir estratégias para a eliminação da doença no país. O evento segue até o dia 14 de março e conta com a participação de aproximadamente 350 pessoas, incluindo autoridades de saúde e pesquisadores.
Retomada das Ações de Diagnóstico
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância da busca ativa de casos, uma estratégia interrompida durante a pandemia. Ele destacou que atualmente a disponibilidade de testes aumentou consideravelmente, o que possibilita a identificação precoce da hanseníase e o início do tratamento em tempo hábil. “Precisamos garantir que as pessoas tenham acesso ao diagnóstico e ao tratamento. O estigma em torno da doença ainda é um dos maiores desafios, pois afasta pacientes dos serviços de saúde”, afirmou Padilha durante a conferência.
A Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase, que abrange o período de 2024 a 2030, estipula que a meta é interromper a transmissão da doença em 4,8 mil municípios até 2030. Isso equivale a atingir 87,5% da população, considerando a ausência de novos casos entre crianças menores de 15 anos ao longo de cinco anos consecutivos. Tal indicador é crucial, pois a presença da hanseníase em crianças sugere transmissão recente, uma vez que a infecção ocorre após um contato prolongado com a bactéria causadora da doença.
Reconhecimento Internacional e Avanços
Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), reforçou o reconhecimento dos avanços do Brasil na luta contra doenças transmissíveis, destacando que os resultados positivos indicam um futuro promissor para a eliminação da hanseníase. “Estivemos juntos em dezembro do ano passado, quando entregamos ao Brasil a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV. Isso mostra que, assim como conseguimos com outras doenças, também podemos combater a hanseníase com eficácia”, afirmou Barbosa.
A parceria entre o Ministério da Saúde e os governos estaduais e municipais tem sido fundamental para fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir o acesso ao tratamento. Nos últimos dois anos, o Brasil viu um aumento de 42% na quantidade de diagnósticos realizados, e a proporção de casos novos identificados pelo exame de contatos subiu de 9,6% para 13,3%. Para isso, mais de 325 mil testes rápidos foram distribuídos, e aproximadamente 4,7 mil profissionais de saúde foram capacitados.
Dados sobre o Tratamento da Hanseníase
O aumento do acesso ao tratamento é evidente, com o número de pacientes recebendo cuidados subindo de 22,3 mil para 27,4 mil. Em 2025, o Ministério da Saúde planeja distribuir 3,4 milhões de medicamentos, incluindo mais de 390 mil esquemas de poliquimioterapia, que é o tratamento padrão e eficaz contra a doença.
Compreendendo a Hanseníase
A hanseníase é uma infecção causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afetando principalmente a pele e os nervos periféricos, e pode levar a manchas, dormência e fraqueza muscular. Apesar do preconceito histórico, a doença possui cura, especialmente quando diagnosticada precocemente. A transmissão ocorre pelo contato próximo e prolongado, geralmente através de secreções nasais de pessoas não tratadas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito por meio da poliquimioterapia, disponível em unidades de saúde em todo o Brasil. Com o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase. O Ministério da Saúde continua a investir em ações de diagnóstico, vigilância e busca ativa de casos, além de campanhas para reduzir o estigma e ampliar o acesso ao tratamento, visando a interrupção da transmissão e a eliminação da hanseníase como um problema de saúde pública no país.

