Críticas de Paes ao Governador e à Polícia
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, comentou sobre a prisão de seu ex-aliado, o vereador Salvino Oliveira, após um dia de silêncio sobre o assunto. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Paes afirmou que, caso as denúncias contra Salvino se confirmem, ele não hesitará em exigir punições. ‘Eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Eu não sou conivente com nenhum tipo de legalidade’, reiterou o prefeito, enfatizando sua posição em relação à situação.
Em sua declaração, Paes frisou: ‘Se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, eu vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a justiça seja feita aqui.’ A reação do prefeito reflete uma clara intenção de dissociar sua administração de possíveis irregularidades que envolvem seus aliados.
Paes também criticou o que considera o ‘uso político’ das forças policiais sob o comando de Castro, afirmando que essa prática já foi objeto de suas denúncias anteriores. ‘O que não dá para aceitar é algo que eu venho denunciando há muito tempo: o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro’, completou, lançando um novo olhar sobre a relação entre segurança pública e política no estado.
Prisão de Salvino e Declarações do Governador
A prisão de Salvino Oliveira, que foi secretário municipal de Juventude, ocorreu após investigações que, segundo a Polícia Civil, revelaram ligações do vereador com o tráfico de drogas, especificamente com o crime organizado. O governador Cláudio Castro utilizou suas redes sociais para comentar o caso, descrevendo Salvino como ‘braço direito do Comando Vermelho na prefeitura’. ‘Polícia Civil prende o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio!’, escreveu Castro, intensificando a disputa política.
A investigação aponta que Oliveira estava negociando diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido na região como Doca, para viabilizar sua campanha eleitoral na comunidade Gardênia, uma área dominada pelo Comando Vermelho. Em troca, o vereador supostamente prometia benefícios à facção que seriam apresentadas como ações voltadas para a população local, como a implementação de quiosques, cujos beneficiários teriam sido escolhidos por membros do tráfico, sem a devida transparência.
A Resposta de Salvino e as Acusações de Paes
Em resposta às acusações, Salvino Oliveira defendeu-se, alegando ser alvo de uma ‘briga política que não é sua’. A sua prisão foi prontamente utilizada por aliados de Castro para atacar Paes, estabelecendo uma clara divisão entre as duas lideranças nas redes e na mídia. O prefeito, por sua vez, aproveitou a oportunidade para responder às críticas, divulgando um vídeo onde citou casos de outros secretários que estiveram envolvidos com atividades ilícitas durante a gestão de Castro.
‘Desde o início do governo Cláudio Castro, vários de seus aliados da área de segurança pública foram presos por envolvimento com o crime organizado. Já houve secretário negociando com traficantes em presídios federais, e outros que foram presos por conexões com bicheiros. Diante de tudo isso, alguém aqui ouviu alguma palavra do governador Cláudio Castro?’, questionou Paes, reforçando sua crítica à omissão do governador.
O conflito entre os dois políticos parece intensificar-se, com Paes destacando a importância de não permitir a infiltração do crime organizado na política. ‘Não dá para aceitar, muito menos a infiltração do crime organizado na política’, finalizou, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a transparência nas ações governamentais.

