Governador Responde a Acusações da PF
No último sábado (28), durante a inauguração de uma base da Operação Segurança Presente em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, o governador Cláudio Castro reagiu às recentes conclusões do relatório da Polícia Federal, que indicam um suposto loteamento de cargos em órgãos do Executivo estadual. Essa investigação menciona o indiciamento do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e aponta uma planilha que detalha a divisão de cargos entre deputados aliados em instituições como Ceperj, a Fundação Leão XIII, a Lei Seca e o próprio programa Segurança Presente.
De acordo com a Polícia Federal, durante a gestão de Bacellar, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) “potencializou sua influência em decisões que deveriam ser prerrogativas do Governador do Estado”. Em entrevista ao jornal O Globo, Cláudio Castro negou qualquer indício de descontrole na gestão das nomeações e afirmou não ter conhecimento das indicações mencionadas no documento. O governador defendeu que sua administração segue um modelo de coalizão, semelhante ao empregado em outras esferas do governo.
“Li o relatório e percebo que deveriam fazer uma leitura similar sobre o governo federal, que abriga todos os partidos, tal como ocorre aqui. O mesmo se aplica à prefeitura, que conta com 39 secretarias e é aliada”, alfinetou Castro, ressaltando que a composição de seu secretariado não difere da divisão de ministérios no âmbito federal. “Essa é a maneira que encontro para fazer política”, afirmou, ao sugerir que o delegado federal responsável pela investigação analisasse também a distribuição de cargos em Brasília.
A Politização das Investigações em Questão
O tom de Castro se intensificou ao criticar a condução do delegado responsável pelo relatório. “Estou convencido de que há uma politização por parte desse delegado, conhecido por seu viés político. Ele parece utilizar esse relatório como uma estratégia para desgastar o governo”, comentou. O governador foi claro ao questionar se o mesmo tipo de análise seria aplicável ao governo federal, onde o delegado também atua e, segundo ele, parece estar “totalmente instrumentalizado”.
Sobre a alegação de perda de controle nas nomeações, Castro foi firme: “Não existe essa perda de controle. Estamos falando de 460 mil servidores, é inviável que o governador tenha plena ciência de cada uma dessas questões”. Ele argumentou que o Estado do Rio de Janeiro possui menos secretarias do que a prefeitura da capital e o governo federal, reforçando seu ponto de vista sobre a dificuldade em gerir um número tão elevado de servidores.
O relatório da Polícia Federal também revela uma anotação encontrada na planilha apreendida, que continha a expressão “cargos para compensar o Ceperj”, aludindo a um órgão que já foi investigado por pagamentos realizados durante o período eleitoral de 2022. A situação também está sendo analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
As conclusões da investigação sugerem que a influência dos parlamentares teria ido além da articulação política que é comum em governos de coalizão, avançando sobre decisões que deveriam ser de competência exclusiva do Executivo estadual. Contudo, o governador Cláudio Castro rejeita essa interpretação, atribuindo a apuração a interesses políticos.

