O Fascínio dos Guarás na Natureza
Com seu vibrante voo, os guarás (Eudocimus ruber) se transformaram em um verdadeiro espetáculo natural que encanta moradores e visitantes. Ao serem avistados em árvores ou migrando pelos manguezais, essas aves se destacam pela beleza de suas penas vermelhas. Contudo, a relevância do guará vai muito além da estética; sua presença na Baía de Guaratuba, no litoral paranaense, é um motor para ações de educação ambiental e turismo sustentável.
A espécie, que é o símbolo do município e originou seu nome, começou a se reestabelecer na região em 2008, após um longo período de ausência que durou cerca de 80 anos. “Desde o registro sistemático da ilha dormitório em 2017 e 2018, o Instituto Guaju tem promovido ações de pesquisa e monitoramento, adotando o guará como símbolo da conservação dos ecossistemas estuarinos”, explica Edgar Fernandez, do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC).
Um Indicador Ecológico Valioso
Os guarás, que possuem semelhança com garças, pertencem à família Threskiornithidae e estão relacionados a aves como a curicaca e o colhereiro. A volta dessa espécie à Baía de Guaratuba é um dos sinais mais claros da saúde ambiental dos manguezais locais, que oferecem alimento, abrigo e proteção para essas aves sensíveis a mudanças no meio ambiente. Edgar enfatiza: “A presença dos guarás é um indicativo positivo da qualidade ambiental da região”.
Turismo Sustentável em Guaratuba
Um dos principais pontos de observação dos guarás é uma ilha na região, onde as aves se reúnem para descansar no final do dia. Este local se tornou um destino popular entre os turistas, que buscam experiências de ecoturismo. Para promover um turismo responsável, o Instituto Guaju, em colaboração com diversas entidades, implementou um curso para qualificar condutores locais.
“O objetivo é incentivar a valorização da cultura caiçara e promover atividades que gerem renda, ao mesmo tempo em que preservam os guarás e os manguezais, fundamentais para o equilíbrio ambiental da Baía de Guaratuba”, destaca Edgar. A iniciativa visa fortalecer um turismo que respeite o meio ambiente e proporcione aos visitantes uma experiência única.
Observação: Uma Ferramenta para a Conservação
O fotógrafo Bruno Carlesse, que participou do curso, acredita que o turismo de observação de aves pode ser uma forte estratégia de conservação e desenvolvimento econômico. “O roteiro de observação oferece não apenas uma experiência de contato com a natureza, mas também uma oportunidade para sensibilizar o público sobre a importância da preservação ambiental”, afirma Carlesse.
Curiosidades sobre os Guarás
Historicamente, os guarás foram aves cobiçadas pelos humanos, com suas penas sendo usadas pelos tupinambás no século 16 para confeccionar mantos. Esses adornos eram utilizados em rituais de antropofagia, onde o indígena acreditava que ao se cobrir com as penas, adquiria as qualidades da pessoa que havia sido sacrificada.
Monitoramento e Pesquisa dos Guarás
O Projeto Guará realiza censos periódicos para entender melhor a população dessa ave. O último levantamento indicou que mais de 4 mil indivíduos habitam a baía, tornando-a um dos principais locais para observação no Sul do Brasil. No entanto, um mistério ainda persiste: desde o retorno da ave, não foram identificadas áreas reprodutivas na região.
“Atualmente, não há registros de colônias reprodutivas consolidadas no litoral do Paraná, o que representa uma lacuna importante na nossa compreensão da dinâmica populacional dos guarás”, ressalta Edgar. As áreas mais próximas de reprodução estão na Baía da Babitonga, em Santa Catarina, e em estuários no estado de São Paulo.
Quando e Como Observar os Guarás
A observação dos guarás pode ser feita durante todo o ano, com maior concentração entre abril e outubro. Durante os meses de novembro a fevereiro, parte da população se desloca para áreas de reprodução, mas ainda é possível encontrar algumas aves na região. Para aqueles que desejam vivenciar essa experiência, é recomendável buscar guias e instituições especializadas em turismo de observação de aves.

